Faltam serviços básicos em 30% dos domicílios

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

29 Novembro 2012

O avanço na distribuição de renda no Brasil de 2001 a 2011 contrasta com as condições de vida de parte considerável da sociedade brasileira, demonstra a Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) 2012 divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2011, 30,6% dos domicílios urbanos brasileiros - pouco mais de 16 milhões de lares, com prováveis 64 milhões de moradores - não tinham simultaneamente os serviços básicos para que haja condições mínimas de habitação: água tratada, coleta de esgoto por rede ou fossa séptica, recolhimento de lixo e eletricidade.

A reportagem é de Wilson Tosta e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 29-11-2012.

A razão entre as residências com e sem os quatro serviços era de 0,44 - praticamente para cada dois domicílios habitáveis havia um sem eles, aponta o estudo. "Essa questão tem a ver com a ação do poder público", disse o pesquisador Rubem Magalhães, do IBGE. "Se aumentarmos o salário de um trabalhador para R$ 30 mil por mês, ele não vai instalar uma rede de água na rua onde mora. Isso é papel do Estado", completou. Segundo a SIS, o avanço nas condições de vida na década foi pequeno: de 67,1% para 69,4% de domicílios urbanos com acesso simultâneo a água, esgoto, coleta do lixo e eletricidade - 2,3 pontos de 2001 a 2011.

Também nesse ponto a desigualdade foi forte. No Sudeste, no ano passado, 94,8% dos lares com renda mensal domiciliar per capita acima de 2 salários mínimos tinham acesso simultâneo aos três serviços de saneamento (água, esgoto e lixo). Mesmo os mais pobres tinham alta cobertura: 79,4% dos domicílios da região com até meio salário mínimo de renda domiciliar per capita estavam cobertos.

É um porcentual muito acima da média do Brasil e da pior média regional, do Norte: 14,8%. Na mesma região, 78,4% dos lares foram considerados, segundo o IBGE, sem condições mínimas de habitabilidade. No Amapá, a proporção chegou a 95,9%.

A SIS de 2012 também constatou que apenas 31% dos domicílios permanentes urbanos tinham, simultaneamente, luz elétrica, computador, acesso à internet, aparelho de DVD, televisão em cores e máquina de lavar, medidas de conforto da vida moderna. O estudo descobriu que, dos 69% de domicílios desprovidos de algum desses itens, quase 90% (84,9%) não tinham acesso à web.

Se forem considerados apenas lares com renda média mensal domiciliar per capita de até meio salário mínimo, a proporção dos excluídos digitais (em 2011) chegava a 92,2%. Segundo a pesquisa, 86% dos domicílios brasileiros no ano passado eram urbanos; apenas 14% se localizavam na área rural, em distribuição que tende a se estabilizar.

Outros indicadores. O IBGE também avaliou a pobreza e a desigualdade com base em uma "perspectiva multidimensional", com indicadores monetários e não monetários, adaptando a metodologia do Consejo Nacional de Evaluación de la Política de Desarrollo Social, do México. A SIS constatou que 22,4% da população brasileira estava em 2011 vulnerável segundo critérios sociais e/ou de renda, com variações regionais. O porcentual chegava a 40,1% no Nordeste e ficava em 7,7% em São Paulo.