Lefebvrianos e casamento gay: uma marcha homofóbica

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21 Novembro 2012

No último domingo, o Instituto Civitas, ligado à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, convocou a uma manifestação em Paris, expressando fortemente a sua oposição ao casamento homossexual, mas também, e acima de tudo, à homossexualidade.

A reportagem é de Marie Boëton, publicada no jornal La Croix, 19-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto

Outro caminho, outros slogans e outra atmosfera. A manifestação, que ocorreu no domingo por iniciativa do Instituto Civitas, queria se diferenciar claramente da manifestação organizada no dia anterior. "No sábado, os manifestantes na Praça Denfert-Rochereau haviam se reunido tanto para combater o casamento homossexual quanto para denunciar a homofobia. É realmente um absurdo!", afirma Alain Escada, à frente do Civitas. "Nós, ao contrário, estamos aqui para lembrar que o projeto do governo irá desnaturalizar a instituição do matrimônio e irá subverter a nossa concepção de família".

Nas ruas do 7º arrondissement, são incontáveis as bandeiras da Alliance Royale, da Action Française e as da Jeunesses Nationalistes. Marcham ao grito de "sim à família, não à homofilia". Alguns não hesitam em exibir a Bíblia.

"A homossexualidade é contra a natureza!", afirma François, aposentado que carrega a histórica bandeira da Bretanha. "Era com este tipo de bandeiras que se partia para as cruzadas mil anos atrás", acrescenta, com orgulho.

A poucos metros de distância, um padre de Toulouse, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, não hesita em ver uma ligação entre "a heresia cátara e o que está acontecendo hoje". "Em ambos os casos, trata-se de lutar contra aqueles que querem desnaturalizar os fundamentos da sociedade", declara. Participaram da manifestação diversas personalidades políticas de extrema direita, como o professor universitário Bruno Gollnisch.

Pouco além, Philippe, 60 anos, diz que também participou da manifestação do sábado. "Hoje, estamos mais entre católicos", explica. "Para mim, a homossexualidade é uma desordem, é um mal. Se alguém tiver essa fraqueza, é preciso acolhê-lo com caridade. Mas, ao menos, que se mantenha discreto!".

Em fila no cortejo, grupos das Jeunesses Nationalistes se separaram da marcha para intimidar aqueles que tentavam, do outro lado, organizar uma contramanifestação. Alguns militantes do movimento feminista ucraniano Femen e jornalistas, incluindo Caroline Fourest foram atacadas e até agredidas. O ato foi fortemente condenado pela porta-voz do governo, Najat Vallaud-Belkacem.