Igrejas alemãs: ceticismo diante do apelo ''Ecumenismo agora''

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13 Setembro 2012

As grandes Igrejas alemães, católica e evangélica, reagem de maneira prudente ao apelo de famosas personalidades cristãs intitulado Ecumenismo agora!.

A reportagem é do sítio Religion.orf.at, 06-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Católicos e protestantes do mundo da política e da sociedade publicaram na última quarta-feira, em Berlim, o apelo Ecumenismo agora – Um só Deus, uma só fé, uma só Igreja. A 500 anos da Reforma e a 50 anos do Concílio Vaticano II (1962-1965) é hora de superar a divisão entre as Igrejas, diz-se no apelo.

Uma superação da divisão das Igrejas não é possível sem um sólido acordo teológico, afirmou o presidente da Conferência Episcopal Alemã, o arcebispo Robert Zollitsch, na última quarta-feira em Bonn. O teólogo vice-presidente do Kirchenamt da Igreja Evangélica Alemã (EKD), Thies Gundlach, também se referiu a diferenças que ainda subsistem no modo de entender a fé em ambas as confissões. Não devemos dar lugar à impressão de que a teologia seja indiferente, disse Thies em Hanover.

Entre os signatários do apelo estão o presidente do Bundestag, Norbert Lammert, o vice-presidente do Bundestag, Wolfgang Thierse, e o ex-presidente da Alemanha, Richard von Weizsäcker, e muitos outros.

Lammert esclareceu que não se trata de um grupo restrito, mas que todos os cristãos têm a possibilidade de aderir com a sua assinatura ou discutir em um fórum na internet. O que une os signatários é a convicção de que as diferenças confessionais que cresceram ao longo da história não justificam a manutenção da separação: é o que afirmou Lammert, expoente da União Democrata-Cristã (CDU).

Expoente do Partido Social-Democrata (SPD), Thierse definiu o apelo como uma "expressão da nossa impaciência". Deliberadamente, evitou-se expressar no apelo demandas concretas. Trata-se, ao contrário, de levantar um amplo debate. Von Weiszächer destacou que o ecumenismo não se refere apenas "às autoridades oficiais, que não se movem um milímetro".

Zollitsch admitiu que apenas um reconhecimento recíproco das Igrejas é realmente muito pouco. Mas resta o fato de que, "se a unidade deve ser construída solidamente e não sobre a areia, a atenção aos aspectos concretos não podem prescindir de garantias teológicas fundamentais". O arcebispo católico de Hamburgo, Werner Thissen, salientou que, no ecumenismo, já foram feitos grandes progressos, em particular o reconhecimento mútuo do batismo. Ele disse estar contente com o fato de que, através desse apelo, o ecumenismo seja posto com mais força no debate público.

A vice-presidente do Bundestag, Katrin Göring-Eckardt, pediu mais calma: "Que lamentemos as separações e queiramos superá-las é uma coisa, e também corresponde ao desejo do meu coração", escreve ela no caderno Christ & Welt, do jornal Zeit (edição de quinta-feira). "Mas aumenta a estagnação do ecumenismo que se lamenta por toda parte".

O Zentralkomitee der deutschen Katholiken (ZDK, Comitê Central dos Católicos Alemães) elogiou o apelo, que mostra que o ecumenismo precisa de sinais visíveis de progresso. Justamente as Igrejas do país da Reforma deveriam ser precursoras a esse respeito, afirmou o presidente da ZDK, Alois Glück.

O deputado do Partido Democrático Liberal (FDP) no Bundestag e porta-voz dos cristãos do FDP, Patrick Meinhardt, declarou que sempre se vê tendo que lutar contra a frustração das barreiras teológicas que são erguidas entre as confissões, enquanto a realidade é outra. Diante da perseguição de cristãos em muitas partes do mundo, em sua opinião, as Igrejas deveriam superar as divisões.

O teólogo católico Otto Hermann Pesch desmentiu as declarações dos representantes das Igrejas, segundo os quais ainda são necessários grandes esclarecimentos teológicas em questões fundamentais. "Os esclarecimentos argumentativos estão há décadas sobre a mesa", disse, referindo-se ao grupo de trabalho ecumênico de teólogos evangélicos e católicos. "É preciso apenas servir-se deles".

Pesch admitiu que ainda subsistem diferenças no modo de entender a fé e as Igrejas entre católicos e protestantes. O problema, porém, é se essas diferenças "são efetivamente tais a ponto de dividir as Igrejas", ou se não devem ser consideradas exclusivamente como diferenças na espiritualidade, na construção de teorias ou em um acento diferente na vida prática, "que são absolutamente legítimas".

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