A Missa Crismal do Papa, o Concílio e a ''pequena'' Igreja

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07 Mai 2012

É impressionante a severa advertência do papa na Missa Crismal deste ano. Até porque a referência ao caso-Áustria lembra notícias, provocações banalidades e vulgaridades que relatam o mal-estar de muitas, até mesmo importantes, realidades eclesiais.

A opinião é de Giovanni Nicolini, publicada na revista italiana Jesus, maio de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um velho como eu pensa inevitavelmente nas fadigas, nos suspeitos e até na "traição" daquele supremo evento do século passado que foi o Concílio Vaticano II, fonte de bem não apenas para as Igrejas, mas também para toda a humanidade. Aqui, porém, se impõe um repensamento que, nós também, que fomos admiradores talvez superficiais do Concílio, devemos captar.

Demos um exemplo: a comunidade eclesial e a proposta que brotam da Dei Verbum, a Constituição sobre a Palavra de Deus. Tranquilamente, pensamos que, finalmente, se entendia a Palavra, porque era proclamada em italiano, que os padres deviam tentar fazer a pregação sobre as Escrituras e que era bom pôr de pé nas paróquias os "grupos do Evangelho".

Mas isso não funcionou: de fato, não basta a língua italiana para que a Palavra do Senhor entre nas cabeças e nos corações; os padres não eram capazes e não estavam dispostos a pôr em jogo uma estrutura secular de formação cultural e espiritual; e os "grupos do Evangelho" não podiam ser "postos de pé" como uma das muitas atividades pastorais e devocionais.

Agora, começamos a entender que a proposta conciliar é preciosa para uma situação que ainda hoje custamos a aceitar, ou seja, que acabou a "cristandade" entendida como identificação entre a vida cristã e a cultura, os costumes, o sentimento comum e até mesmo as leis do Estado.

A reforma conciliar é preciosa precisamente por causa da história em que nos encontramos hoje e pelo  sofrimento que há, como sempre ocorre com um "mundo" que acaba. A preciosidade do evento conciliar começa a ser colhida agora, quando se pode ter a percepção de uma grande "crise", que não é, porém, a crise da Igreja, mas sim de uma cultura própria, de um rosto seu: todas coisas ligadas com os tempos e com a sua mudança, mas não essenciais para o seu ser profundo.

Hoje, os documentos conciliares e, principalmente, o Espírito guiou o Concílio se dirigem a uma Igreja "pequena". Um pouco como nos tempos de Paulo de Tarso, quando a grande Igreja de Corinto estava transbordando de dons do Espírito, afligida por contrastes internos, mas certamente apaixonada o suficiente para desfrutar da maravilha divina do do hino paulino ao Amor. Uma Igreja rica mais de relações do que de estruturas, considerada seita perigosa por ser "ateia" com relação às grandes idolatrias coletivas. Uma Igreja que sabia que era absolutamente "universal", não pela medida do consenso conquistado, mas pelo "caminho, a verdade e a vida" que anunciava ao mundo.