A infinita ternura da ressurreição

Mais Lidos

  • Observando em perspectiva crítica, o que está em jogo no aceleracionismo é quem define o ritmo das questões sociais, políticas e ambientais

    Aceleracionismo: a questão central do poder é a disputa de ritmos. Entrevista especial com Matheus Castelo Branco Dias

    LER MAIS
  • Entre a soberania, o neoextrativismo e as eleições 2026: o impasse do Brasil na geopolítica das terras raras. Artigo de Sérgio Botton Barcellos

    LER MAIS
  • Em decisão histórica, Senado rejeita nome de Messias ao STF

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Abril 2012

"A ressurreição de Jesus é uma ação de infinita ternura trinitária: o Pai, sofrendo a paixão de Jesus, o acolhe e abraça com entranhas de misericórdia, ressuscitando-o pela ação expansiva e criativa do Espírito Santo", escreve Ana Maria Formoso Galarraga, mestre em Teologia pela PUC-RS e doutoranda do PPG em Educação da Unisinos. Ela trabalha no Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Eis o artigo.

No dia 8/4 celebramos a Páscoa da Ressurreição.

Em hebraico Pessach, a Páscoa equivale a uma “passagem”. O termo significa saltar, passar por cima, e lembra a libertação dos judeus do cativeiro no Egito, que a partir daquele momento histórico se converteram em povo. A Páscoa carrega uma dimensão histórica e é igualmente uma memória que se atualiza. Uma memória que deixa sempre viva a passagem e todas as suas dificuldades. O êxodo foi familiar e envolveu homens, mulheres, crianças, jovens, adultos, idosos, todos se movimentando pelo desejo de libertação. O cansaço, a fome, a sede foram elementos fortes que integraram a trajetória.

São Paulo pode dizer que Cristo é a nossa Páscoa porque o evento central da experiência cristã – a morte e a ressurreição de Jesus – expõe e leva ao cumprimento da realidade salvadora da Páscoa bíblica e hebraica. 

Numa Páscoa hebraica, Jesus de Nazaré foi condenado à morte. Ele mesmo prepara sua “passagem” em um clima de refeição festiva ambientada na festa de sua cultura. Nem tudo, porém, é festa. Há também uma dimensão de enfrentar o mal, de rebelar-se contra as diferentes formas de morte, que Jesus assume com sofrimento e com fortaleza, confiando no Deus amoroso, sem deixar de sentir profundamente a dor, a morte. A experiência da passagem e de confiança na vida como última palavra foram a Páscoa de Jesus, pois ele fez a passagem e o Deus misericordioso, por meio do Espírito Santo, o ressuscitou, abrindo a possibilidade da ressurreição para nós!

A ressurreição de Jesus é uma ação de infinita ternura trinitária: o Pai, sofrendo a paixão de Jesus, o acolhe e abraça com entranhas de misericórdia, ressuscitando-o pela ação expansiva e criativa do Espírito Santo. A novidade é que Deus não é passivo perante as injustiças, os sofrimentos.

Desejamos uma Feliz Páscoa de Ressurreição a todos/as!