Mar Musa: mosteiro é invadido por homens armados

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27 Fevereiro 2012

Publicamos o comunicado de imprensa da Comunidade Monástica de Deir Mar Musa, na Síria, fundada pelo jesuíta Paolo Dall'Oglio.

A reportagem é da revista Popoli, dos jesuítas italianos, 24-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.


O que aconteceu em Deir Mar Musa el-Habasci

Na quarta-feira, 22 fevereiro, 2012, perto das 18 horas, ocorreu o que se segue: cerca de 30 homens armados – todos com o rosto coberto, exceto o comandante – invadiram o cercado do curral do mosteiro, onde se encontravam alguns empregados. Desordenaram os ambientes, perguntando pelo padre responsável e procurando armas e dinheiro. Um dos pastores foi obrigado a conduzir um grupo dos armados até uma outra ala do mosteiro, onde quatro irmãs foram detidas em uma sala, sob vigilância, justamente no momento em que se preparavam para descer para a oração.

Logo depois, alguns dos agressores se dirigiram à igreja e nela entraram. A comunidade monástica, reunida para a meditação, lembrou-lhes que o lugar é consagrado à oração e merece respeito. Os homens armados, assim, obrigaram os presentes, ameaçando-os, a se reunirem em um canto da igreja. Depois, interceptaram outras pessoas do mosteiro tratando-as brutalmente. Então, sem fazer maiores danos, procuraram, novamente sem resultado, armas e dinheiro, destruindo os instrumentos de comunicação encontrados.

Durante a agressão, o responsável pelo grupo fotografava com o seu celular. Depois de ter consentido que se retomasse oração, ordenou os presentes a permanecerem na igreja por uma hora. O superior do mosteiro encontrava-se em Damasco e não pôde regressar senão na madrugada de quinta-feira. Vale mencionar que os armados, com autoridade, declararam logo a sua intenção de não provocar dano às pessoas presentes no mosteiro e efetivamente se comportaram como prometido durante a agressão.

É óbvia a pergunta sobre a identidade do grupo armado. É impossível, neste momento, dar uma resposta segura. O que parece certo é que se tratou de homens acostumados ao uso das armas em vista de interesses materiais. Resta também sem resposta a pergunta relativa ao porquê de procurarem armas em um mosteiro que escolheu e tem difundido a não violência há tantos anos. Agradecemos a Deus pela proteção dos seus anjos e rezamos durante missa por aqueles que nos agrediram e pelas suas famílias. Apesar desse evento doloroso, não perdemos a paz nem o desejo de servir à reconciliação.

Deir Mar Musa