''Os governos odeiam a internet'', afirma Manuel Castells

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09 Janeiro 2012

Manuel Castells, sociólogo e professor de sociologia e urbanismo da Universidade de Berkeley (Califórnia), diretor do Internet Interdisciplinary Institute da Universidade Aberta da Catalunha, em entrevista a Sergio Martin para o sítio Europa Abierta, analisou as conflitivas relações que o poder político mantém com as novas tecnologias.

A reportagem é do sítio Clases de Periodismo, 04-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em sua opinião, "os governos odeiam a internet fundamentalmente porque é um desafio básico ao que sempre foi o fundamento do seu poder: o controle da informação da comunicação".

"Os governos dizem 'internet sim', mas para o que me sirva, e põem os mesmos casos – pornografia infantil e o terrorismo – como se fossem problemas da internet e não da sociedade. Os governos odeiam que algo escape do seu controle, mas, ao mesmo tempo, também não podem ter um pouquinho de internet. A internet ou está ou não está", afirmou, notando que mesmo em países onde se pretende censurar, isso não é alcançado.

Ele também observou que as pessoas, hoje, têm muito mais capacidade para intervir a partir da internet do que qualquer outro momento da história. Castells advertiu que as empresas de internet têm que aceitar a liberdade de expressão na rede, porque é isso o que as pessoas buscam: expressar-se, organizar-se e relacionar-se livremente. Caso contrário, os usuários vão buscar outros espaços sociais em que se respeite o direito a se manifestar e em que não se estabeleçam censuras.

Em outro momento da longa entrevista, o sociólogo assinalou que "o Twitter estancou de certa forma, porque não permite uma interação suficientemente rica como outros espaços sociais". Para o pesquisador, nesta época do iPhone e de outros dispositivos inteligentes, o Facebook tem mais vantagem.

Ouça aqui o áudio da entrevista, em espanhol.