Diaconisas na Igreja alemã: ''Retorno às origens do cristianismo''

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07 Mai 2013

Um retorno às origens. Sem rupturas ou saltos. Tanto que, desta vez, no Vaticano, não houve um mau humor particular. Trata-se do último pedido feito por uma das Igrejas consideradas como uma das mais antirromanas da Europa, a alemã. Mesmo do outro lado do Tibre, em suma, parecem ter compreendido que Robert Zollitsch, bispo de Friburgo e presidente dos bispos da Alemanha, quer sim levar a Igreja para novos caminhos, mas sem romper com a doutrina.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 05-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os bispos alemães querem "um diaconato específico para as mulheres", eram os títulos dos jornais do país, precisamente no rastro de um pedido formalizado pelo próprio Zollitsch. Onde na palavra "específico" é expressa a vontade de conceder o diaconato às mulheres sem necessariamente prever a imposição das mãos. E, portanto, sem equiparar esse novo diaconato à "clássica" ordenação diaconal, à qual só os homens são admitidos.

Não por acaso, há três meses, o cardeal Walter Kasper – grande inovador e "eleitor" do Papa Francisco no último conclave –, durante a assembleia geral de primavera dos bispos reunidos em Trier, disse: é preciso refletir "sobre uma função diaconal específica feminina, uma espécie de 'diaconisa da comunidade', como havia nas comunidades primitivas". O pedido é claro: uma qualificação nova e "específica", mas que tenha o sabor da antiga.

Na época apostólica, diversas formas de assistência diaconal aos apóstolos e às comunidades eram exercidas por mulheres. Não por acaso, São Paulo recomendou à comunidade de Roma "Febe, nossa irmã, diaconisa da Igreja de Cêncreas". Mas, mesmo depois, a partir do século III, em algumas regiões foi atestado um ministério eclesial específico atribuído a "diaconisas".

Na Síria oriental e em Constantinopla, o bispo era o chefe de uma comunidade que ele dirigia principalmente com a ajuda de diáconos e diaconisas. É aí que os bispos alemães querem chegar. É a esse nível que o presidente de um dos episcopados com mais autoridade e independentes do mundo pretende levar a Igreja.

O porta-voz do episcopado, Robert Eberle, não diz por acaso: Zollitsch se expressou em favor de "novos serviços e cargos eclesiais, que sejam abertos também às mulheres, como por exemplo um diaconato específico para as mulheres". Mas ele quer fazer isso "com base na doutrina da Igreja Católica".

Certamente, algum descontentamento nos setores mais tradicionalistas foi provocado pelo anúncio de Zollitsch. O bispo de Regensburg, Rudolf Voderholzer, por exemplo, reagiu dizendo no site da sua diocese que "não há nenhuma possibilidade para a ordenação de mulheres como diaconisas".

Mas justamente aí está o ponto, explica Eberle. O que Zollitsch disse que quer é um diaconato "específico", que ultrapassa a barreira da ordenação. Um conceito defendido também por diversos fiéis da Alemanha, que celebraram o "Dia da Diaconisa".

A vice-presidente do Comitê Central dos Leigos Católicos Alemães, Claudia Lucking-Michel, se referiu ao Papa Francisco para defender a ideia da necessidade de diaconisas na Igreja Católica. Ela disse que o papa exortou os católicos ainda nas primeiras declarações a acolher "com amor e ternura a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os menores". Na sua opinião, Francisco quer uma Igreja orientada mais fortemente "em sentido diaconal e caritativo". A admissão de mulheres ao diaconato "vai reforçar essa função e, portanto, também a Igreja".

Nesse sábado, em Santa Maria Maior, em Roma, o papa pediu que todos, começando pelos adolescentes, não sejam "eternos adolescentes", mas se coloquem em jogo "com responsabilidade": "Como é difícil no nosso tempo tomar decisões definitivas. Seduz-nos o provisório, como se desejássemos permanecer adolescentes por toda a vida".

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