'Evangélicos querem varrer temática da diversidade sexual'

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20 Março 2013

Ao discursar ontem na instalação da Frente dos Direitos Humanos na Câmara, o deputado Jean Wyllys disse que o ódio às minorias no Brasil "se materializa em insultos, injúrias e assassinatos". Também afirmou que tem sido vítima de campanhas injuriosas em redes sociais - e que chegam a distorcer afirmações feitas por ele sobre religião. Na entrevista abaixo ele fala sobre o debate com os grupos políticos neopentecostais.

A entrevista é de Roldão Arruda e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 21-03-2013.

Eis a entrevista.

A que atribui o interesse de grupos neopentecostais pela Comissão de Direitos Humanos?

Os neopentecostais tomaram a comissão com o propósito de varrer dela a temática da diversidade sexual em todos os seus aspectos, nas políticas educacionais, nas políticas de saúde, nas políticas de segurança. Também querem tratar a questão indígena e quilombola apenas na perspectiva da conversão. Não é uma defesa dos interesses dos povos indígenas na sua diversidade cultural, reconhecendo seu direito à terra, sua identidade cultural, sua religiosidade. A perspectiva é de conversão das almas perdidas.

Por que se dá tanto peso à identificação dos direitos dos gays com os direitos humanos?

Quando associamos direitos LGBT a direitos humanos, estamos reclamando uma humanidade para os homossexuais - e isso gera algum tipo de identificação entre homossexuais e heterossexuais. Ninguém é capaz de ser contra direitos humanos, ninguém diz que é contra. Mas, se houver uma dissociação entre as duas coisas, como querem os neopentecostais, os direitos dos gays passam a ser vistos sob a perspectiva de privilégios. O Feliciano bate muito nessa tecla dos privilégios.

Ele também diz que querem limitar sua liberdade.

Ele sabe que os homossexuais constituem o grupo mais odiado e estigmatizado da sociedade. Quando é criticado por eles, o Feliciano se apresenta como vítima, faz apelos populistas à liberdade de expressão, recorre a falácias, como a da "cristofobia". Com isso, procura pôr a sociedade contra os homossexuais e ocultar o problema real: o fato de ser racista e homofóbico, de explorar comercialmente a fé de gente pobre, de ser o porta-voz de um retrocesso em termos de direitos civis e liberdades individuais.

O sr. tem falado muito das agressões que sofre. Já teve vontade de jogar a toalha?

Não. Como dizia Gandhi, não importa se vou perder ou ganhar, mas o fato de que luto por uma causa na qual acredito. Também acredito que o Brasil se democratiza quando se engaja no debate dessas questões.