A profecia do bispo Bettazzi: ''O papa sairá antes de não conseguir mais''

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14 Fevereiro 2013

A notícia da renúncia do Papa Bento XVI havia sido dada com um ano de antecedência, exatamente no dia 13 fevereiro de 2012, durante a transmissão do programa da Radiodue Rai Un giorno da pecora: "O Papa Ratzinger pensa na renúncia", desencadeando o inevitável alvoroço que desde sempre acompanha as suas declarações. Dom Luigi Bettazzi, bispo emérito de Ivrea, não havia usado o condicional, certo como estava da notícia e, sobretudo, da sua fonte.

A reportagem é de Guido Novaria, publicada no jornal La Stampa, 12-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Bettazzi havia excluído a existência de um complô para matar o Papa Ratzinger: "Não, não acredito. Se fosse o papa anterior, eu entenderia, mas este papa me parece muito manso, religioso. Não poderia encontrar os motivos para um atentado", dissera ele no rádio.

Ouvindo-a novamente um ano depois, aquela entrevista radiofônica tem um sabor quase profético: "Acho que a teoria do complô é um sistema para preparar a eventualidade da renúncia. Para preparar esse choque – porque a renúncia de um papa seria um choque – começam a jogar ali a coisa do complô".

E à pergunta sobre se Ratzinger tinha a intenção de renunciar, a resposta de Bettazzi havia sido muito clara: "Eu acredito que sim, embora tenham negado. Um velho cardeal, porém, sempre me dizia: se o Vaticano desmente, quer dizer que é verdade. Eu penso que ele se sente muito cansado. Basta vê-lo. É um habituado aos estudos teológicos, à meditação". E acrescentou: "Diante dos problemas que existem, talvez também diante das tensões existentes dentro da Cúria, ele poderia pensar que o novo papa se ocuparia dessas coisas".

Sobre o suposto complô contra o papa, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, também havia se pronunciado: "É uma história que não merece ser levado a sério", explicou.

O bispo emérito de Ivrea também havia confirmado novamente a teoria da renúncia após aquele chocante anúncio de um ano atrás: "O papa poderia renunciar, antes que chegue aquele momento em que não é mais o pontífice que guia a Igreja. Ele viu os últimos anos de João Paulo II e sabia que ele queria renunciar, mas não o deixaram. Eu desejo a ele uma longa vida e lucidez, mas se Bento XVI se der conta de que as coisas estão mudando, ele teria a coragem de renunciar".

Para valorizar a tese da renúncia, segundo Dom Bettazzi, teria chegado a "sistematização" do seu secretário particular: "Quando o padre Georg foi consagrado arcebispo e promovido a prefeito da Casa Pontifícia, intuí que os tempos estavam maduros. Depois de ter resolvido a questão do seu secretário, que não permanecerá a disposição de todos, mas terá garantido um posto como bispo, ele se sentiu mais livre para renunciar. Além disso, se um bispo depois dos 75 anos não pode reger a sua diocese, e os cardeais com mais de 80 anos não podem participar do conclave para a eleição do papa, parece-me coerente que um papa que tenha chegado a certos limites de idade, se o seu físico não lhe permite continuar, também possa renunciar".

Sobre o futuro do Vaticano, o bispo emérito de Ivrea, que neste ano completará 90 anos, não perde o equilíbrio: "Eu rezo para que o Espírito Santo ajude os cardeais, que também vêm dos continentes com mais dificuldades, a entender a situação da Igreja e a escolher um papa adaptado aos nossos tempos".