Silêncio dos militares traz dúvidas sobre volta da ditadura, diz Dallari

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Dezembro 2014

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, criticou ontem o silêncio das Forças Armadas sobre o relatório entregue pelo grupo à presidente Dilma Rousseff na quarta-feira e disse que é preciso reconhecer a responsabilidade pelos crimes cometidos durante o regime militar (1964-1985). Para Dallari, a atitude dos militares gera insegurança na sociedade e traz dúvidas sobre a volta da ditadura no país.

No relatório da CNV, a comissão pede a punição de 377 agentes públicos por violação dos direitos humanos durante o período militar, entre eles cinco generais que presidiram o Brasil.

A reportagem é de Cristiane Agostine, publicada pelo jornal Valor, 12-12-2014.

"As Forças Armadas precisam reconhecer a sua responsabilidade institucional, pelo bem da reconciliação nacional", afirmou Dallari. "É necessário que as Forças Armadas se posicionem em relação a isso. O silêncio poderá passar a impressão de que as Forças Armadas ainda estão de acordo com o que foi feito no passado e poderiam especular com a possibilidade de voltar a fazer no futuro", afirmou. Dallari participou ontem de uma audiência pública no Senado, na Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça, para debater o relatório.

O coordenador da CNV disse que a democracia brasileira precisa ter "absoluta segurança" de que as atrocidades ocorridas na ditadura nunca mais voltem a acontecer. E para isso, insistiu, é preciso que os militares reconheçam as violações cometidas no regime militar.

Dallari disse que as Forças Armadas têm recebido apoio do parlamento e da sociedade brasileira e citou como exemplo a aprovação do Orçamento com recursos para a compra dos jatos suecos Gripen. "Esse gesto de apoio não está sendo retribuído. A reconciliação nacional só virá com esse reconhecimento".

Em audiência na Câmara também para debater o tema, o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Gilney Viana, disse que "com o relatório o Estado brasileiro diz: tortura nunca mais, ditadura nunca mais".