Igreja suíça adverte: "Vaticano deve seguir a Laudato si' e deixar de investir em combustíveis fósseis"

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08 Outubro 2015

Em maio passado, o Papa Francisco se fez promotor da encíclica Laudato si', com a qual pede maior respeito pelo ambiente, mas, enquanto isso, o Vaticano manteve os seus substanciais investimentos em energias não eco-compatíveis.

A reportagem é de Franco Zantonelli, publicada no jornal La Repubblica, 06-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Isso foi destacado durante um congresso por Dom Charles Morerod, bispo da diocese que abrange Lausanne, Genebra e Friburgo. "Eu pretendo tornar isso presente aos conselheiros de Sua Santidade", prometeu o prelado suíço na quinta-feira passada, diante de uma centena de fiéis que participaram, na Universidade de Lausanne, de uma série de conferências intitulada "Livremo-nos das energias fósseis".

Em essência, Dom Morerod, que também preside a Conferência dos Bispos da Suíça, convida a Igreja a passar das palavras para os fatos em uma questão que, em particular na Confederação, é particularmente sentida.

No entanto, quando esse bispo, que, como meio de locomoção, prefere a bicicleta, é questionado sobre a dimensão dos investimentos do Vaticano em energias fósseis, um pouco ingenuamente, ele afirma não saber.

"Trata-se de 7 bilhões de euros, subdivididos entre petróleo, gás natural e carvão", informa a ele, então, um dos participantes da série de conferências na Universidade de Lausanne, como escreve o jornal Le Matin Dimanche.

Ao ouvir esses dados, a Irmã Terra corre o risco de protestar em vão "pelo mal que lhe provocamos, por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela pôs", apenas para lembrar uma passagem do Cântico de São Francisco, citado pelo papa na sua encíclica Laudato si'.

Quanto a Dom Morerod, ele não fez nada mais do que se alinhar àquelas paróquias anglo-saxônicas e da Europa do Norte que, há já algum tempo, convidaram os seus fiéis a retirarem todos os seus investimentos dos grupos envolvidos no negócio das energias fósseis. O que significa, dentre outras coisas, ficarem longe de gigantes bancários como UBS e Goldman Sachs, que, com esse negócio, continuam lucrando. "Em nome da moral ecológica e do respeito pela criação", explicou Guillermo Kerber, diretor de Conselho Ecumênico de Igrejas de Genebra, alegrando-se com a iniciativa de Dom Morerod.