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Por: Cesar Sanson | 12 Agosto 2015

"O corte sinalizado pelo governo ao Água para Todos, mais especificamente ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), significará um retrocesso dessa caminhada. E o custo de desarticulação dessa rede poderá representar uma perda maior do que à aparente economia projetada", destaca a carta das mulheres do Semiárido, publicada por  Articulação do Semiárido - ASA, 11-08-2015.

Eis a carta.

Nós mulheres do Semiárido Brasileiro, nos colocamos de pé e em luta pela garantia dos nossos direitos e manutenção das conquistas obtidas no Brasil. Marcharemos pelo desenvolvimento sustentável, pela democracia e justiça, pela nossa liberdade e autonomia, e ainda pela igualdade. Estamos em luta pelo fim da violência machista que agride e mata mulheres, todos os dias, no país. Rechaçamos o oportunismo golpista de grupos conservadores da sociedade que querem nos tirar direitos e derrubar a presidente.

No entanto, não podemos deixar de cobrar a continuidade e o investimento financeiro contínuo em políticas que mudaram as nossas vidas para melhor nos últimos 12 anos, a exemplo do Programa Água para Todos. Foi em resposta ao passivo histórico do Estado com o Semiárido e, sobretudo, com a vida das mulheres, que hoje estamos assistindo um movimento de transformação, ainda em curso, propulsionado por essa política e, sobretudo, pelos Programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas. Foi em função dessas ações que nos últimos quatro anos, marcados pela seca mais severa dos últimos 80 anos, milhares de famílias, e mais, milhares de mulheres puderam se manter com dignidade no campo, semeando cidadania e produzindo alimentos.

Essa trajetória, contudo, ainda está em curso e essa marcha não pode ser interrompida nesse momento. Estamos promovendo transformações profundas na sociedade que não podem ser comprometidas pelo ajuste fiscal, jogando novamente mulheres e homens do Semiárido ao descaso.

Estamos falando de uma política de baixo custo, de alta eficiência de execução pela sociedade civil e de elevadíssimo impacto social e econômico comparado às grandes obras hídricas, que pouco contribuíram para a mudança na qualidade de vida no Semiárido.

O corte sinalizado pelo governo ao Água para Todos, mais especificamente ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), significará um retrocesso dessa caminhada. E o custo de desarticulação dessa rede poderá representar uma perda maior do que à aparente economia projetada.

O acesso à água de qualidade tem sido um importante instrumento de afirmação e empoderamento das mulheres do Semiárido. Somos hoje protagonistas de uma história de luta e esperança!

Pelos motivos acima explicitados, senhora presidenta, cobramos que o governo reveja as orientações de corte e mantenha a força e a amplitude do Programa Água para Todos.

Juntas a presidenta Dilma e a todas as Margaridas do Brasil, nós mulheres do Semiárido Brasileiro, queremos continuar na construção de um “Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.

Brasília, 6 de agosto de 2015
Mulheres do Semiárido Brasileiro