Carvão e petróleo devem ficar no passado

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Por: Cesar Sanson | 17 Junho 2015

A Agência Internacional de Energia (AIE) publicou nessa segunda-feira um relatório especial focado em energia e nas mudanças climáticas. O “Energy and Climate Change” (Energia e Mudanças Climáticas) é parte da famosa série de relatórios “World Energy Outlook”, referência na área de energia no mundo todo, e apresenta três cenários energéticos possíveis.

A reportagem é publicada por Greenpeace, 15-06-2015.

Um dos cenários considera as metas para redução das emissões de carbono já apresentadas pelos países e mostra que apenas com elas não será possível manter o aumento da temperatura global em até 2º C, limite considerado seguro para conservar a vida na Terra segundo cientistas. “Estamos muito aquém do compromisso que precisamos. O que está prometido até o momento deve ser o patamar mínimo do compromisso e não o máximo”, afirma o coordenador político internacional do Greenpeace para mudanças climáticas.

O segundo cenário, proposto pela AIE como uma alternativa, considera frear o aumento do uso de petróleo e de carvão nos próximos cinco anos e também incentivar as energias renováveis e adotar medidas de eficiência energética. Há também um terceiro cenário que considera o desenvolvimento de novas tecnologias.

Atualmente, a produção e o uso de energia são responsáveis por dois terços das emissões de gases de efeito estufa no mundo e este relatório especial representa a contribuição da AIE para a próxima Conferência do Clima que será realizada em dezembro, em Paris, e na qual espera-se ser assinado um novo acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto.

“O relatório é positivo já que demanda metas mais ambiciosas dos países para diminuir as emissões de carbono”, continua Kaiser. Além disso, reconhece-se a necessidade de descontinuar o uso do carvão, de retirar os subsídios para os combustíveis fósseis e, ainda, que as energias renováveis tem um papel muito importante no futuro energético do planeta.

“Estamos à beira de uma nova era energética e a Agência Internacional de Energia reconhece isso. Em breve, o uso do carvão já será passado e o petróleo seguirá o mesmo caminho”, continua Kaiser.

No ano passado, as emissões de carbono na China diminuíram devido a uma redução no uso do carvão e o aumento da demanda por energia foi atendido por fontes renováveis. O caso chinês mostra que mesmo em um curto espaço de tempo é possível adotar fontes renováveis e que estas já podem atender a demanda de energia pelo mundo, ao contrário de tecnologias arriscadas como o a energia nuclear e a captura e armazenamento de carbono (CCS, em inglês), que apesar de ser mencionada no relatório da AIE ainda é incerta e pode causar graves riscos ao meio ambiente. “Nós temos que olhar para um futuro de energia 100% renovável”, diz Kaiser.