Desigualdade recua pelo 10º ano, mas ciclo dá sinais de esgotamento

Mais Lidos

  • A Europa é arrastada para operações militares em uma guerra que considera ilegal

    LER MAIS
  • “Muitos homens pensam que perder a dominação sobre as mulheres é uma perda da sua própria masculinidade, o que não é verdade. Um homem pode ser homem, ter seus valores e nem por isso precisa dominar mulheres, crianças ou pessoas de outras etnias”, diz a socióloga

    Feminicídio: “A noção de propriedade é profunda”. Entrevista especial com Eva Alterman Blay

    LER MAIS
  • Trump enfrenta uma guerra mais longa do que o esperado no Irã, com problemas no fornecimento de munição e armas

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Novembro 2015

O Brasil ficou menos desigual em 2014, pelo décimo ano consecutivo. O motivo foi o aumento da renda dos mais pobres. No Sudeste, porém, a perda de dinamismo econômico da região fez crescer a distância entre ricos e pobres.

A reportagem é de Bruno Villas Bôas e Lucas Vettorazzo, publicada por Folha de S. Paulo, 14-11-2015.

Economistas consultados pela Folha dizem que esse pode ser o último retrato do ciclo de redução da desigualdade do país. O índice tende a parar de cair ou mesmo subir neste ano por causa da crise econômica, efeito já sentido no Sudeste.

O índice de Gini (medida de distribuição de renda) do rendimento do trabalho recuou de 0,495 em 2013 para 0,490 em 2014 no país — quanto mais próximo de zero, mais igualitária é a distribuição da renda.

Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgado nesta sexta (13) pelo IBGE. A pesquisa foi a campo no fim de setembro de 2014, antes da piora da crise econômica.

A queda da desigualdade nacional foi possível porque o rendimento dos 10% mais pobres cresceu 4,1%. Já a renda dos 10% mais ricos teve queda de 0,4%.

Contudo, o aumento da renda real (descontada a inflação) seguiu perdendo o fôlego. Teve uma alta de 0,8%, a menor em uma década. 

Para Márcio Salvato, professor de economia do Ibmec, a alta da renda dos mais pobres é um retrato do passado. De lá para cá, o desemprego subiu fortemente e a renda foi corroída pela inflação. 

"A pesquisa mostra o Brasil uma semana antes do primeiro turno das eleições, quando o governo ainda não havia retirado incentivos ao crescimento", disse ele.

Para especialista, a alta da desigualdade no Sudeste (de 0,475 para 0,478) foi o primeiro sinal desta tendência. A desigualdade não crescia na região desde 2005.

Desigualdade

Segundo Fabio Silveira, diretor da GO Associados, a piora na atividade industrial na região e a queda do emprego no setor fizeram a crise chegar mais cedo ao Sudeste. 

"O mercado de trabalho piorou primeiro em São Paulo e foi contaminando outros setores e o restante do país. Depois vieram a crise de energia, a política, a Lava Jato.

Paulo Feldmann, professor da USP, diz que a alta do desemprego neste ano prejudica sobretudo os mais pobres e vai elevar a desigualdade. "Muita gente que chegou à classe C ficou desempregada e não consegue agora comprar nada além da comida."

O Nordeste continua sendo a região mais desigual do Brasil. Foi também a que mais reduziu o índice de Gini, de 0,524, em 2013, para 0,501.