Papa Francisco e o significado da “despedida” para os cristãos

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Por: Jonas | 21 Mai 2015

Todos, cedo ou tarde, devem dizer “adeus” ao mundo: nesse momento, é preciso se encomendar a Deus e, ao mesmo tempo, é necessário pensar sobre isso, porque traz benefícios para a nossa própria vida. Foi o que afirmou o Papa Francisco na homilia matutina da missa de hoje, na capela da Casa Santa Marta, segundo apontou a Rádio Vaticano.

 
Fonte: http://goo.gl/pmuQoW  

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 19-05-2015. A tradução é do Cepat.

O Pontífice refletiu sobre as palavras de Jesus, primeiro na Paixão e depois quando Paulo se despede, em Mileto, antes de ir a Jerusalém. E refletiu sobre o significado da palavra “adeus” para um cristão; também recordou todos os que são vítimas de perseguições e se veem obrigados a fugir, como os rohingyas de Myanmar ou os cristãos e yazidis no Iraque: “Jesus se despede, Paulo se despede, e isto nos ajudará a refletir sobre nossas despedidas”; na vida “há muitas despedidas”, pequenas e grandes, e também “há muito sofrimento, muitas lágrimas em algumas delas”.

O Papa Bergoglio pediu para que se pense nos “pobres Rohingya de Myanmar. Quando deixaram suas terras para fugir das perseguições não sabiam o que lhes iria acontecer. E há meses estão na barca, por aí... Chegam a uma cidade, onde lhes dão água e comida, mas lhes dizem: “Vão”. É uma despedida. Entre outras coisas, hoje também ocorre esta grande despedida existencial. Pensem na despedida dos cristãos e dos yazidis, que acreditam que nunca mais voltarão para sua terra, porque foram expulsos de suas casas. Hoje”.

Ao longo da vida, chega o momento da despedida “da mamãe, que dá o último abraço ao filho que vai à guerra; e todos os dias se levanta com medo” de que alguém chegue para lhe dizer: “Agradecemos muito a generosidade de seu filho, que deu a vida pela pátria”; e também ocorre “a última despedida - disse Jorge Mario Bergoglio -, que todos nós devemos passar, quando o Senhor nos chamar para o outro lado. Eu penso nisto”. Estas, “inclusive a última - observou o Papa -, não são despedidas de “até breve”, “até logo”, “nos vemos”, que são despedidas onde se sabe que há um retorno, imediato ou dentro de uma semana: são despedidas em que não sabemos quando, nem como voltaremos”.

Francisco recordou que o tema do adeus também está presente na arte, nas canções. “Vem-me uma à mente, a dos alpinos, quando esse capitão se despede de seus soldados: o testamento do capitão. Penso na grande despedida, em minha grande despedida, não quando tiver que dizer ‘até logo’, ‘até breve’, ‘nos vemos’, mas, sim, ‘adeus’? Estes dois textos dizem a palavra ‘adeus’. Paulo encomenda os seus a Deus e Jesus encomenda ao Pai seus discípulos, que ficam no mundo. “Não são do mundo, mas cuida deles”. Encomendar ao Pai, encomendar a Deus, esta é a origem da palavra ‘adeus’. Nós dizemos ‘adeus’ só nas grandes despedidas, sejam as da vida ou a última”.

O Pontífice acrescentou: “Acredito que com estes dois ícones (o de Paulo, que chora, de joelhos sobre a praia, isso tudo, e Jesus, triste, porque ia à Paixão, com seus discípulos, chorando em seu coração) podemos pensar em nossa despedida. Faz bem. Quem será a pessoa que fechará meus olhos?”. “O que eu deixo? Tanto Paulo como Jesus - continuou o Papa -, ambos, nestas passagens fazem uma espécie de exame de consciência: ‘Eu fiz isto, isto e isto...’ Eu, o que fiz? Faz bem me imaginar nesse momento. Quando será, não sabemos, mas será o momento em que “até logo”, “até breve”, “até amanhã”, “nos vemos” se converterá em ‘adeus’. Estou preparado para encomendar meus seres queridos a Deus? Para encomendar a mim mesmo a Deus? Para dizer essa palavra que é a palavra com a qual o Filho se encomenda ao Pai?”.

O Papa aconselhou, ao final da homilia, para se meditar exatamente sobre as Leituras de hoje, nas quais se lê sobre a despedida de Paulo e de Jesus, e “pensar que um dia” todos terão que pronunciar essa palavra: “adeus: a Deus encomendo minha alma; a Deus encomendo minha história; a Deus encomendo os meus; a Deus encomendo tudo”; “que Jesus morto e ressuscitado - foi a invocação final do Papa -, envie-nos o Espírito Santo, para que aprendamos essa palavra, para que aprendamos a dizê-la, mas existencialmente, com toda a força: a última palavra: adeus”.