Viver da sua presença

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10 Abril 2015

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de João capítulo 20, 19-31, que corresponde ao Segundo Domingo da Páscoa ciclo B do Ano Litúrgico. 

O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o comentário.

 
 Fonte: http://bit.ly/1Ct4PS8

O relato de João não pode ser mais sugestivo e interpelador. Só quando vem a Jesus ressuscitado no meio deles, o grupo de discípulos se transforma. Recuperam a paz, desaparecem os seus medos, enchem-se de uma alegria desconhecida, sentem o alento de Jesus sobre eles e abrem as portas, porque se sentem enviados a viver a mesma missão que Ele havia recebido do Pai.

A crise atual da Igreja, os seus medos e a sua falta de vigor espiritual têm a sua origem a um nível profundo. Com frequência, a ideia da ressurreição de Jesus e da sua presença no meio de nós é mais uma doutrina pensada e predicada, que uma experiência vivida.

Cristo ressuscitado está no centro da Igreja, mas a sua presença viva não está arraigada em nós, não está incorporada na substância das nossas comunidades, não nutre habitualmente os nossos projetos. Após vinte séculos de cristianismo, Jesus não é conhecido nem compreendido na Sua originalidade. Não é amado nem seguido como foi pelos Seus discípulos e discípulas.

Nota-se de seguida quando um grupo ou uma comunidade cristã se sente como habitada por essa presença invisível, mas real e ativa de Cristo ressuscitado. Não se contentam em seguir rotineiramente as diretrizes que regulam a vida eclesial. Possuem uma sensibilidade especial para escutar, buscar, recordar e aplicar o Evangelho de Jesus. São os espaços mais sãos e vivos da Igreja.

Nada nem ninguém nos podem aportar hoje a força, a alegria e a criatividade que necessitamos para enfrentarmos uma crise sem precedentes, como pode fazê-lo a presença viva de Cristo ressuscitado. Privados do Seu vigor espiritual, nós não sairemos da nossa passividade quase inata, continuaremos com as portas fechadas ao mundo moderno, seguiremos fazendo “o mandado”, sem alegria nem convicção. Onde encontraremos a força que necessitamos para recriar e reformar a Igreja?