O diretório que o Papa queria jogar fora

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12 Fevereiro 2015

O “Diretório da Homilética” nascido da congregação vaticana para o culto divino conquistou um êxito curioso. Teve a aprovação e a paternidade do Papa Francisco. Mas é totalmente diferente de como Jose Mario Bergoglio o havia desejado, como ele havia dito em 2005.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada pelo blog Settimo Cielo, 10-02-2015. A traduçao é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Em 1° de março daquele ano, um mês antes da morte de João Paulo II, foi convocada no Vaticano a congregação pelo culto divino da qual Bergoglio fazia parte. E exatamente a ele foi marcada a “inclusão”, ou seja o início dos trabalhos.

O argumento da ordem do dia era a publicação de um diretório sobre “Ars celebrandi” sobre a arte de celebrar a missa, com “objeto de atenção particular” a homilia.

O diretório estava em elaboração há anos, mas em 2005 estava ainda em alto mar. Os cardeais e os bispos da congregação tinham em mente dois rascunhos.

E assim, Bergoglio disse para que se jogassem fora as duas e se reescrevesse tudo desde o inicio, com uma “nova redação mais meditativa, recente e vital”.

E acrescenta:

Acho que o ‘novo’ documento não pode ser uma instrução e provavelmente nem um diretório, que se tornaria muito cansativo”.

O interessante dessa “inclusão” do então arcebispo de Buenos Aires é que nos dias passados foi tornada pública – enquanto as normas permanecem secretas – e foi enviada para leitura de todos os padres de Roma em vista do encontro de início da Quaresma que teriam com o Papa Francisco na próxima quinta-feira 19 de fevereiro, encontro que verterá exatamente sobre a “Ars celebrandi”.

Desde então se passaram dez anos e somente hoje a grandiosa gestação do documento terminou.

Mas na realidade não deveria ser um diretório e pelo contrário é apenas por questões de nome. Deveria ser “breve” e do contrário contém bem 156 páginas.

Papa Francisco o aprovou formalmente. Mas aquilo que ele queria dizer sobre as homilias já havia dito em uma ampla seção “ad hoc” da sua programática exortação apostólica “Evangelii gaudium”.

E sobre como ele deseja que se pregue aos fiéis, dá o exemplo todas as manhãs na Capela da Casa Santa Marta.