A Igreja anglicana “aceita plenamente” a lei sobre o casamento gay

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Por: André | 03 Abril 2014

Às vésperas da entrada em vigor da lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Inglaterra e no País de Gales, o arcebispo de Canterbury, Justin Welby, surpreendeu ao declarar ao jornal The Guardian que “a Igreja da Inglaterra não se oporá ao casamento homossexual entre seus fiéis”.

A reportagem está publicada no jornal francês La Croix, 28-03-2014. A tradução é de André Langer.

Foi previsto um longo prazo entre a votação da lei, no dia 16 de julho de 2013, e sua entrada em vigor, no dia 29 de março de 2014, justificado pela necessidade de atualizar o sistema informático e para harmonizar a lei com alguns textos, como aqueles que registram as pensões. Em razão desta demora, as dezenas de cerimônias estão previstas para acontecerem no sábado (29 de março) à noite.

“Eu acredito que a Igreja (anglicana) reagiu aceitando plenamente que se trata de uma lei, e que ela deve reagir, a partir do sábado, continuando a demonstrar – em palavras e ações – o amor de Cristo por cada ser humano”, declarou o Dr. Justin Welby ao The Guardian.

Mudança de tom

Esta declaração marca “uma mudança de tom, senão de substância”, observa o jornal. Desde o lançamento de uma consulta sobre o assunto feita pelo governo de David Cameron em março de 2012, a Igreja anglicana figura entre as principais opositoras do texto. De maneira incansável, ela lembrou seu compromisso com “a compreensão tradicional da instituição do casamento como sendo entre um homem e uma mulher”, mas também seu apoio às uniões civis, introduzidas no país em 2005, que “proporcionam aos casais homossexuais os mesmos direitos e responsabilidades que aos casais heterossexuais casados”.

Há apenas um mês, no dia 15 de fevereiro, os bispos da Igreja anglicana da Inglaterra reiteraram, num comunicado, suas reticências em relação às bênçãos de casais homossexuais. Alardearam sua preocupação com uma necessária “acolhida pastoral” nas paróquias, sem limitação de acesso aos sacramentos, nem para os casais homossexuais, nem para as crianças aos seus cuidados, e reconhecendo também que “o amor mútuo e a fidelidade estão presentes nos casais homossexuais”.

“Conversas estruturadas”

Mas esta posição é contestada na própria Igreja anglicana. “Ao menos sete casais de padres se preparam para se casar à revelia de seus bispos”, recorda o The Guardian. Mais amplamente, a questão divide o conjunto da Comunhão Anglicana, em escala mundial. Alguns de seus membros ameaçam “deixar a Igreja da Inglaterra” em caso de bênçãos de casais do mesmo sexo.

As declarações de Justin Welby não vão tão longe: o primaz da Comunhão Anglicana limitou-se a indicar que sua Igreja não se oporá à lei. Sem dúvida, espera resolver o problema via uma série de “conversas estruturadas” para dar ao conflito que divide sua Igreja um caráter mais “civilizado”, adiantou o jornal.