Irlanda pede perdão pelos abusos a estudantes em colégios religiosos

Mais Lidos

  • Quando a Igreja perde seus ministros: notas teológico-pastorais sobre a desistência presbiteral. Artigo de Eliseu Wisniewski

    LER MAIS
  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS
  • Lula em reunião do G-7: "Eu nunca fui de esquerda"

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: André | 03 Fevereiro 2014

O primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny, pediu perdão, nesta quinta-feira, pelos abusos cometidos contra menores em colégios religiosos, dois dias após o Tribunal de Direitos Humanos ter condenado este país a pagar uma multa e indenizar uma vítima de abusos sexuais.

A reportagem está publicada no jornal espanhol El País, 30-01-2014. A tradução é de André Langer.

O Tribunal, com sede em Estrasburgo, manifestou-se, na terça-feira, a favor de Louise O’Keeffe, de 46 anos, que denunciou e considerou o Estado irlandês responsável pelos abusos físicos e sexuais que sofreu em 1973, cometidos pelo diretor da Escola Nacional de Dunderrow, um centro administrado pela Igreja católica, mas subsidiado por fundos públicos, no condado de Cork, sul do país.

“Gostaria de dizer a Louise O’Keeffe que peço perdão pelo que lhe aconteceu no centro em que estava e pelas horríveis experiências que teve que suportar”, disse o líder do Governo de Dublin, uma coalizão entre conservadores e trabalhistas.

O Tribunal de Direitos Humanos impôs uma multa de 30.000 euros à Irlanda, mas também obrigou o Estado a pagar a O’Keeffe 85.000 euros pelos gastos com o processo, o que abre as portas para que outras vítimas reclamem indenizações. Onze dos 17 juízes de Estrasburgo votaram a favor de Louise e consideraram que a Irlanda “não cumpriu sua obrigação de protegê-la contra os abusos sexuais”.

Atualmente, tramitam na Justiça irlandesa 135 denúncias similares àquela apresentada pela vítima, se bem que o número poderá aumentar consideravelmente após o precedente desta semana.

O Supremo Tribunal de Dublin já condenou, em 2006, o diretor da citada escola, Leo Hickey, a pagar 305.104 euros a O’Keeffe, mas eximiu o Estado de toda a responsabilidade, como tinha pedido a demandante em uma apelação posterior, motivo pelo qual levou seu caso para fora das fronteiras irlandesas.

Em sua sentença, o Tribunal de Direitos Humanos encontrou deficiências no sistema do Estado irlandês de detecção e gestão de denúncias de abusos contra menores durante a década de 1970. Concretamente, seus juízes lamentaram que não se tenha feito nada quando O’Keeffe apresentou sua primeira denúncia contra Hickey, em 1971. Caso tivesse sido atendida, disseram, poderia ter evitado mais abusos contra a vítima e outros menores. O educador foi processado pela primeira vez no começo dos anos 1990 por 386 abusos cometidos contra 21 ex-alunos e em 1998 foi condenado a três anos de prisão.

“Infelizmente, o caso de O’Keeffe é um que representa a longa ladainha de casos na Irlanda. É por isso que no passado tivemos que fazer frente a um excepcional número de casos que ferem a nossa memória”, declarou Kenny nesta quinta-feira.

Várias investigações realizadas neste país revelaram nos últimos anos que milhares de crianças sofreram abusos sexuais, físicos e emocionais desde o começo do século XX. Estes relatórios também revelaram a conivência entre a Igreja católica e as autoridades do país em milhares de casos para proteger e ocultar os seus culpados.