Arcebispo de Salvador tem ascensão incerta

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20 Janeiro 2014

Enquanto os católicos cariocas celebram dom Orani Tempesta, o clima na Arquidiocese de Salvador é de frustração. Contrariando expectativas, o arcebispo da cidade, dom Murilo Krieger, 70, ficou de fora da lista de 19 novos cardeais anunciados pelo papa Francisco.

A reportagem é de Fabiano Maisonnave, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 19-01-2014.

Salvador, junto com São Paulo e Rio de Janeiro, é uma das três sedes cardinalícias brasileiras, ou seja, cidades onde o arcebispo tradicionalmente ascende a cardeal.

Uma explicação da ausência de dom Murilo está no fato de Francisco ter nomeado apenas um cardeal por país. A exceção ficou por conta dos quatro italianos, ainda assim porque três trabalham na Cúria Romana, a burocracia que comanda a igreja.

Por outro lado, e num sinal mais preocupante para o arcebispo de Salvador, o papa Francisco não seguiu a tradição na Itália ao ignorar o atual patriarca de Veneza, um dos postos mais tradicionais da Igreja Católica, de onde saíram três papas do século passado. O provável motivo: Francesco Moraglia é visto como próximo demais à desmoralizada Cúria do papa anterior, Bento XVI.

Em vez de Moraglia, o papa escolheu o moderado Gualtiero Bassetti, arcebispo de Perugia, cidade italiana que não tinha um cardeal desde o século XIX.

Considerado de linha mais tradicional, Krieger foi nomeado arcebispo de Salvador por Bento 16, em 2011.
Para a Igreja Católica, a capital baiana tem grande importância simbólica. Por estar à frente da primeira diocese do Brasil, criada em 1551, o arcebispo de Salvador acumula o título de Primaz do Brasil, o que, de forma honorífica, o coloca em posição superior à dos demais bispos e arcebispos do país.

Sem a indicação de dom Murilo, que é catarinense, a arquidiocese de Salvador não tem nenhum representante hoje num eventual conclave, a atribuição mais importante dos cardeais.

Em outubro, o arcebispo emérito da cidade, dom Geraldo Majella, que participou da escolha de Francisco, completou 80 anos, a idade-limite para participar de um conclave.