Papa vai ajudar Arquidiocese do Rio a pagar dívida

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28 Novembro 2013

Com uma dívida considerada "impagável" pelo Vaticano, a Arquidiocese do Rio de Janeiro será socorrida por um financiamento do papa Francisco por causa do rombo deixado depois da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O Estado apurou que a Santa Sé deverá contribuir com um "valor significativo" e está negociando os termos e os valores do resgate.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 28-11-2013

Se o evento, realizado entre os dias 23 e 28 de julho deste ano, foi um sucesso total para a imagem do papa em sua primeira viagem internacional, o Vaticano e o papa pessoalmente ficaram preocupados diante da falta de controle com os gastos, justamente em um pontificado marcado pela austeridade e as ordens do pontífice aos sacerdotes para que evitem exageros.

A Jornada da Juventude no Rio acabou custando R$ 350 milhões. Parte do valor foi pago com as inscrições dos participantes. Recursos públicos também foram usados, num total de R$ 118 milhões entre os três níveis da administração. Só o governo federal teve de arcar com R$ 57 milhões.

Ainda assim, o evento terminou com uma dívida de R$ 90 milhões para a Arquidiocese do Rio, que era a responsável pela Jornada.

No Vaticano, o sinal de alerta foi dado quando a Santa Sé foi informada de que a Arquidiocese vendeu um imóvel onde funciona o Hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, na zona norte. Com a venda, foram arrecadados R$ 46 milhões.

Fontes na Itália confirmaram ao Estado que de fato a situação do rombo obrigou o Vaticano a negociar uma solução para a Arquidiocese do Rio. Mas não sem antes fazer exigências sobre o controle das contas e deixar claro que, para os próximos eventos, as cidades e arquidioceses terão de adotar outros padrões.

O papa e seu entorno não teriam ficado satisfeitos com as notícias do buraco nas contas, principalmente porque consideraram que alguns dos gastos não foram justificados.

Guaratiba

O Vaticano também não entendeu como os organizadores permitiram a confusão operacional em relação às obras em Guaratiba, onde ocorreria a última missa. As chuvas obrigaram o evento a ser transferido para a Praia de Copacabana. Mas os custos não foram recuperados. Só com a dragagem de rio em Guaratiba, a prefeitura gastou R$ 6 milhões.

Antes da viagem do papa, o Vaticano havia minimizado a questão dos custos. "Há 30 anos se fala disso (sobre o uso de verba pública) e nada disso é novo", declarou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, na ocasião.

Para Lombardi, o dinheiro movimentado para a preparação do evento ficaria no próprio país. "Com frequência, quando há gastos, eles são destinados a pagar por um trabalho. Não é que se jogue nada pela janela, ao mar. Serão dados (recursos) a quem trabalha para atender a ordem pública e para construir as estruturas necessárias. De fato, é dinheiro que beneficia quem realiza certos serviços no campo do bem comum para esse grande evento e interessa a maior parte da população", justificou. "Não são recursos desperdiçados."

Campanha tenta arrecadar recursos com fiéis

A Arquidiocese do Rio lançou uma campanha para quitar a dívida de cerca de R$ 90 milhões, adquirida com a transferência da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Guaratiba, na zona oeste, para Copacabana, na zona sul, por causa da chuva. Na época, o arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, anunciou que seria feita auditoria para verificar os gastos e a dívida seria renegociada com os credores.

A reportagem é de Thaise Constancio e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28-11-2013.

Como primeira medida, a Arquidiocese vendeu o prédio onde funciona há 12 anos o Hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, zona norte, por R$ 46 milhões para a própria Rede D'Or. Os outros R$ 43,2 milhões devem ser arrecadados por meio de doação dos fiéis pelo site www.doarjmj.com.br.

Organizador da Jornada, o Instituto JMJ informou que a maioria dos credores concedeu descontos e alguns perdoaram as dívidas da Igreja. No entanto, nenhum prazo para quitação total foi divulgado.

Mobilização

A campanha é massiva: nos folhetos das missas há anúncio convidando os fiéis a colaborarem com a campanha. Nas redes sociais, grupos de jovens realizam ações de arrecadação para ajudar a quitar a dívida da Arquidiocese. Na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, zona sul, mesmo sem orientação oficial, o pároco colocou um cartaz no quadro de aviso com informações sobre a campanha.

Artistas como Roberto Carlos e Erasmo Carlos e religiosos como os padres Fábio de Melo, Reginaldo Manzotti e Omar Raposo cederam os direitos de imagem e autorais para ajudar a campanha. A venda de DVDs e CDs sobre a Jornada também ajudarão na captação de recursos para quitar as dívidas.