Padre Georg Gänswein, promovido e ''removido''

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26 Novembro 2012

Georg Gänswein deixa o posto de secretário pessoal do papa. É um choque resultante do escândalo Vatileaks. A notícia do adeus é dada como certa nas salas secretas do Palácio Apostólico. O anúncio seria divulgado após o consistório deste sábado, quando serão criados seis novos cardeais. Um deles é o norte-americano Dom James Michael Harvey, até recentemente prefeito da Casa Pontifícia, isto é, responsável pela organização das atividades papais cotidianas.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 23-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Concluiu-se, portanto, com duas decapitações a primeira fase de reorganização interna do Vaticano, após o clamoroso caso das revelações sobre os conflitos internos à Cúria projetados sobre o cenário internacional através das antecipações do jornal Fatto Quotidiano e dos furos de Gianluigi Nuzzi.

Dom Harvey foi obrigado a partir, porque havia sido ele, em última instância, que favoreceu Paolo Gabriele a se tornar mordomo de Bento XVI. Agora Gänswein é obrigado a abandonar, essencialmente por dois motivos. O mais evidentes é a evidente falta de supervisão sobre Gabriele, que trabalhava no mesmo escritório que ele e praticamente diante dos seus olhos fotocopiou documentos secretíssimos, até mesmo a partir de 2006, como o próprio Gänswein indicou no tribunal.

Mas ele também teve um papel na tensão latente entre o secretário papal e o cardeal Bertone, secretário de Estado vaticano, que se manifestou também a propósito do IOR [o chamado Banco do Vaticano] por ocasião da defenestração do presidente Ettore Gotti Tedeschi, amigo pessoal de Bento XVI e defensor de uma linha de transparência.

Em segundo lugar, as duas decapitações se transfiguram em promoções. Harvey recebe a púrpura cardinalícia. Gänswein adquire o posto de prefeito da Casa Pontifícia, assegurando-se assim, em tempos breves, a ordenação a bispo. Não é só uma promoção, mas também uma asseguração sobre o amanhã: porque isso significa que, para o padre Georg, o sucessor de Ratzinger será levado a buscar uma sede episcopal na Alemanha. Assim como aconteceu com o secretário de João Paulo II, Dom Stanislaw Dziwisz, para o qual foi criado o cargo de prefeito-adjunto da Casa Pontifícia, a fim de fazê-lo bispo enquanto Wojtyla ainda estava vivo.

A nova colocação de Gänswein é reveladora do estado psicológico de Bento XVI. Já superados os 85 anos, o pontífice não consegue abrir mão das pessoas mais conhecidas com as quais ele está acostumado. Assim, Gänswein continuará estando perto dele – embora menos visível – e dando-lhe os seus conselhos.

A indiscrição lançada meses atrás pelo jornal alemão Bild, segundo o qual haviam sido encontradas mensagens de SMS comprometedoras entre o mordomo Paolo Gabriele, Gänswein e a histórica assistente de Ratzinger, Ingrid Stampa, finalmente foi desfeita.

O secretário papal recebe um posto de absoluta confiança na corte apostólica, e a fidelíssima colaboradora Stampa foi honrada dias atrás com a menção do seu nome como "tradutora e editora" (para a versão italiana) no título do novo livro de Bento XVI sobre Jesus.

O responsável da seção alemã da Secretaria de Estado é que deve se tornar sucessor de Gänswein como secretário pessoal do pontífice. Reforça-se o círculo germânico em torno do papa, levando-se em conta que o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé é, desde meados do ano, o bispo Gerhard Müller, ex-bispo de Regensburg.

Nessa situação, parece difícil que o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, abandone o seu cargo.