Cisões no governo uruguaio estão na raiz de impasse

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Por: Cesar Sanson | 05 Julho 2012

O analista político uruguaio Oscar Botinelli, da consultoria Factum, é irônico ao avaliar as divisões na Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda que governa o Uruguai. "Esse governo uruguaio geralmente tem um comando personalizado...e um pouco bagunçado", diz. "Não houve consultas com a oposição e pouca discussão dentro do governo. E esse é um governo no qual a maior parte está vinculada ao presidente Mujica, enquanto que o restante, ao vice, Danilo Astori."

A reportagem é de Ariel Palacios e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 05-07-2012.

Para o analista, não é possível saber se Mujica teve de aceitar pressões da Argentina e do Brasil, se conseguiu algo em troca da entrada da Venezuela ou se esteve de acordo com tudo desde o início. O Uruguai, até 1999, foi o mais entusiasmado membro do Mercosul em relação ao bloco. Mas, nos anos seguintes, teve motivos de sobra para decepcionar.

Mujica teve atitudes ambíguas com o Mercosul desde a campanha eleitoral. Por um lado faz declarações enfáticas de integração com o bloco. Mas, ao mesmo tempo, critica as barreiras comerciais aplicadas pelo Brasil e a Argentina. Em diversas ocasiões indicou que o Mercosul deveria permitir ao Uruguai estabelecer acordos comerciais bilaterais de forma direta com outros países de fora do bloco. O Uruguai terá um mercado interessante na Venezuela para sua carne bovina e laticínios. Além disso, o Uruguai necessita do petróleo que da estatal venezuelana PDVSA.