Ex-banqueiro e 'papa' do decrescimento se enfrentam em Copacabana

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16 Junho 2012

É concebível uma economia capitalista moderna que não se baseie no crescimento?

A pergunta foi o centro de um debate, na tarde desta sexta, entre dois economistas com ponto de vista distintos: Tim Jackson, professor de sustentabilidade da Universidade de Surrey (Reino Unido) e autor do livro "Prosperidade sem Crescimento", e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, do fundo Gávea Investimentos.

A reportagem é do Portal Uol, 15-06-2012.

"A economia baseada no crescimento é insustentável, ao menos na sua forma atual. A própria crise financeira mostrou que esse modelo leva à instabilidade", disse Jackson. Em linha com a tese que defende em seu livro, o britânico criticou o "estímulo contínuo ao consumo": "A função da economia é levar prosperidade às pessoas, e ela transcende os bens materiais. Prosperidade é o bem estar da nossa família, é um mundo sustentável em possamos viver bem."

Fraga, por sua vez, disse não conceber um modelo sem crescimento econômico. "Mas acho que é concebível uma economia que se policie e se organize para crescer diferente, até crescendo menos a curto prazo, sem quebrar a longo prazo."

O brasileiro também criticou o modelo de consumo exagerado. "Concordo plenamente que é importante ter outros valores na vida. O que me preocupa, como economista, é que a ênfase exagerada no consumo leva as pessoas a se endividarem além de suas possibilidades, criando essa sociedade propensa a bolhas e crises."

Os dois economistas também concordaram quanto aos estragos que o modelo econômico atual vem causando no ambiente, ainda que divergindo quanto à solução. "É verdade que o capitalismo está destruindo o planeta neste momento e isso precisa ser corrigido, mas nós precisamos trabalhar com o mercado, não contra ele", disse Fraga.

"Não se trata de persuadir as pessoas a consumirem diferente, mas a parar de consumir", disse Jackson.

O debate aconteceu durante o Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, no evento Humanidade 2012, no Forte de Copacabana.