Deputados viram reféns cercados por manifestantes e líderes da UE

Mais Lidos

  • A ferrovia bioceânica Brasil-Peru promete agilizar o comércio com a China. Mas a que custo?

    LER MAIS
  • “As ideias de Yarvin e de outros são um absurdo, mas as prescrições liberais do mundo seguem linhas semelhantes". Entrevista com Carlos Fernández Liria

    LER MAIS
  • Antonio Banderas ao Papa: "Estou aqui hoje confessando ter sido vítima do feitiço de Deus"

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

20 Fevereiro 2012

Um enorme aparato de segurança cerca a sede do Parlamento Helênico, o núcleo do poder político da Grécia, no centro de Atenas. O efetivo da polícia serve para desestimular tentativas de invasão por manifestantes, mas também alimenta uma ironia corrente na capital: a de que os deputados são reféns, mantidos em cativeiro.

A reportagem é de Andrei Netto e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 20-02-2012.

O curioso é que foi assim que diversos parlamentares entrevistados pelo Estado na última semana descreveram a situação em que se encontram. De um lado, afirmam, enfrentam uma pressão permanente de líderes políticos da União Europeia (UE) e de técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que aprovem sem emendas as medidas de austeridade, que já totalizam € 160 bilhões em dois anos. De outro, sentem-se humilhados pelas vaias, pelo descrédito e pelo desprezo com que são vistos pela opinião pública.

Um desses deputados é Rigas Takis, integrante do Partido Socialista (Pasok), majoritário na casa. Eleito pela primeira vez em 2004, quando ainda era oposição, Rigas acompanhou dentro do sistema o crescimento da crise que explodiria em dezembro de 2009. Desde então, diz ele, a Grécia não manda mais em si própria, o que explica a aprovação dos planos de austeridade exigidos pelo FMI e pela UE.

Para outro deputado do Pasok, que prefere não se identificar, a classe política grega de fato vive do clientelismo, que aprofunda as desigualdades. Mas hoje, diz, vive sob tutela externa. "Precisaríamos de mais tempo, mas a Europa quer todas as reformas para agora", reclama.