27 Janeiro 2012
O destaque do Fórum Social Temático (FST) nesta quinta-feira ficou por conta da presença da presidente Dilma Rousseff (PT) em Porto Alegre para participar do evento. Boa parte dos organizadores do fórum passou a tarde mobilizada para a reunião com a presidente para discutir a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro, em junho.
O evento ocorre duas décadas depois da ECO-92 e receberá contribuições do Fórum Temático de Porto Alegre e Região Metropolitana. Esta quinta-feira também foi o dia do FST que teve mais eventos cancelados.
A reportagem é de Paula Coutinho e publicada pelo Jornal do Comércio, 27-01-2012.
Membro do conselho internacional do evento, o diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowski, acredita que a pulverização da programação em vários locais e cidades complicou a participação nas atividades.
“Isso prejudica um pouco metodologicamente e afeta politicamente, pois não se criou aquela referência como quando foi realizado na Pucrs ou mesmo no entorno do Gasômetro. O FST está disperso. Isso vira um problema político. As pessoas têm dificuldade em encontrar e participar das atividades que estão no Gasômetro, na Assembleia Legislativa, na Ufrgs e também nas cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo e Canoas.”
Grzybowski sugere que para as próximas edições se busque uma solução para a dispersão das atividades e também para garantir o foco temático. “Tem que pensar mais na metodologia do que significa ser temático, pois também dispersamos nisso. Para ser temático devia estar mais centrado no tema da sustentabilidade e do meio ambiente. Não está conseguindo ser agregador dessa diversidade.”
Por outro lado, Grzybowski avaliou positivamente a tradicional marcha de abertura do evento, realizada em Porto Alegre. “Apresentou uma qualidade interessante e com novas bandeiras, novos temas. O Fórum está respondendo ao desafio de ir adiante. Não estamos mais criticando o FMI. As questões emergentes aparecem com muita força, como ciência e tecnologia, as questões éticas, a integração dos territórios, a não mercantilização do planeta”, afirmou, ao comentar que esses temas não estavam tão claros nos outros fóruns. “Antes lutávamos contra a privatização da água, hoje queremos proteger o planeta. Alargamos o horizonte”, observou.
De acordo com o integrante do conselho internacional do fórum, uma avaliação mais completa do FST será feita no sábado. “Haverá o encontro de vários grupos, a assembleia dos movimentos sociais, e vão surgir propostas interessantes pelo que estou vendo fermentar”, projetou Grzybowski.