Recursos do FMI para agir na crise podem chegar a US$ 1 tri

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04 Novembro 2011

Os países do G-20 poderão anunciar hoje um acordo para aumentar os recursos disponíveis do Fundo Monetário Internacional (FMI) em US$ 300 bilhões, através de contribuições bilaterais, elevando a US$ 700 bilhões a capacidade de empréstimo do fundo para servir de barreira de proteção contra contágio da crise da zona do euro.

A reportagem é de Assis Moreira e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 04-11-2011.

O Valor apurou que a capacidade de resposta total à crise pode chegar a US$ 1 trilhão, se houver acordo também para o FMI fazer nova alocação de Direitos Especiais de Saque (DES), sua moeda virtual, de US$ 250 bilhões, para reforçar a liquidez global.

Essas cifras estavam colocadas entre colchetes em documento ao qual a reportagem teve acesso ontem à noite, em Cannes, significando que permaneciam em negociação e que certos negociadores eram cautelosos. Mas as pressões eram fortes por um pacote que envolva centenas de bilhões de dólares. "A bagunça da Grécia fez a necessidade de blindagem contra contágio aumentar", disse um negociador. "Os franceses querem divulgar uma cifra realmente importante, de pelo menos o dobro do que o FMI dispõe", afirmou outro.

A hipótese de financiamento do FMI para a Itália era considerada no G-20, mas o governo italiano, mesmo fragilizado cada vez mais e sendo alvo do mercado, adiantou que recusaria a operação. Não estava claro como os recursos do FMI seriam integrados na alavancagem do Fundo Europeu de Estabilidade Europeu (EFSF, na sigla em inglês), para socorrer países e bancos em dificuldade, que por sua vez deve pular para € 1 trilhão.

Ministros de finanças da Alemanha, França e Itália discutiram ontem em Cannes como acelerar a implementação desse aumento de recursos do fundo europeu.

O presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou que países europeus e de fora da região se "aproximavam" sobre o aumento de recursos para o FMI. O fato concreto é que, na primeira reunião dos líderes, ontem ao meio-dia, houve quase consenso sobre a necessidade de o fundo dispor de mais poder financeiro, diante de mais riscos de crise financeira.

Os EUA, maiores acionistas do FMI, defenderam maior barreira de proteção contra contágio. "O FMI deve ter um papel de apoio importante", disse o presidente Barack Obama. Mais tarde, um assessor da Casa Branca esclareceu que não havia planos para os EUA fornecerem recursos adicionais para o fundo. Já certos emergentes mostram-se crescentemente preocupados com os enormes volumes de financiamentos do FMI tomando o rumo da Europa ocidental.

Na versão em negociação do comunicado final do G-20, os líderes das maiores economias apoiam proposta do FMI para nova linha de liquidez de precaução, que deverá ser aprovada rapidamente. Esse instrumento permite ao fundo atender países com problemas de curto prazo em quantidade mais abundante e com menos condicionalidades. Para observadores, a negociação de Cannes ilustra a gradual mudança de poder para emergentes.