22 Outubro 2011
Em 1986, a Igreja Valdense não participou da Oração de Assis. A Igreja Reformada não aceitou rezar, como estava escrito no convite, "em torno ao papa" pela paz. "Essa frase – explica Paolo Naso, cientista político e consultor da Federação das Igrejas Evangélicas da Itália – pareceu à Mesa Valdense pouco ecumênica e muito centrada na figura do pontífice. Mas eu acredito que, na escolha da Mesa Valdense, também esteve em jogo uma subestimação da importância e da novidade dessa oração ecumênica e inter-religiosa".
A reportagem é de Enrico Casale, em artigo para a revista dos jesuítas italianos, Popoli, 29-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
De fato, em 2002, quando João Paulo II convocou uma nova Oração pela Paz, os valdenses participaram. "Em 2002 – continua Naso –, o clima havia mudado. O atentado às Torres Gêmeas do 11 de setembro de 2001 havia posto em evidência o crescimento do fundamentalismo e a necessidade de combatê-lo apelando para a mensagem de paz contida em todos os credos religiosos. Com essa participação, queria-se demonstrar que a tese do choque de civilizações era equivocada e que a guerra em nome de Deus é um absurdo e uma contradição em termos".
Uma presença que também foi confirmada para a Oração pela Paz que será realizada este ano. "Como Igreja Valdense, não podemos deixar de apreciar o fato de que Bento XVI convocou uma nova Oração pela Paz", explica Letizia Tomassone, pastora e vice-presidente da Federação das Igrejas Evangélicas Italianas (com delegação para os encontros ecumênicos). "Também apreciamos o espírito ecumênico e inter-religioso da iniciativa. Portanto, a nossa presença não irá faltar. Por outro lado, para as Igrejas Reformadas, esta é só uma das etapas de um caminho de promoção da paz na justiça".
A Federação das Igrejas Evangélicas Italianas (da qual, além dos valdenses, também fazem parte metodistas, batistas e outras Igrejas reformadas) participou, entre os dias 17 e 25 de maio, em Kingston (Jamaica), da Convocação Internacional pela Paz, organizada pelo Conselho Mundial de Igrejas, ao longo da qual foi lançado a pedido às Igrejas de colocar a "paz justa" como prioridade ecumênica.
Uma outra etapa foi o Congresso Eucarístico que ocorreu em Ancona, em setembro, durante o qual a Igreja Católica e a Federação das Igrejas Evangélicas destacaram a situação ecumênica e falaram de iniciativas comuns em favor da paz.
"Quanto ao encontro de Assis, a única crítica que eu faria à Igreja Católica é não ter envolvido suficientemente as outras Igrejas e confissões na organização. Se fosse por mim, a organização deveria ser mais coletiva", observa a pastora Tomassone. "Mas não quero fazer polêmica. Acredito que, em um mundo como o nosso, que se alimenta de imagens, um encontro como o de Assis é essencial para lançar a mensagem de um grupo de crentes capazes de se acolher reciprocamente e de rezar lado a lado pela paz".