Arcebispo irlandês compartilha a ira da opinião pública pelos abusos do clero

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02 Agosto 2011

"É compreensível que muitos católicos bons e honestos sintam perturbação e decepção depois das revelações sobre a forma como esses casos foram tratados", declarou o arcebispo de Tuam, Michael Neary, aos milhares de peregrinos que realizaram a subida anual da montanha Croagh (oeste), em honra de São Patrício, padroeiro da Irlanda.

A reportagem é da agência Efe, 01-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Muitos estão com raiva e aterrados pelo que ficaram sabendo. Esses sentimentos são realmente compartilhados pelos sacerdotes, pelos religiosos e, sim, pelos bispos", destacou.

Nos últimos anos, a Irlanda, país majoritariamente católico, se viu traumatizada por uma série de escândalos de abusos sexuais contra menores cometidos por membros do clero, que depois foram protegidos pela sua hierarquia.

No dia 20 de julho, o primeiro-ministro Enda Kenny havia acusado a Igreja Católica, e o Vaticano em particular, de ter obstaculizado a investigação sobre um novo caso de pedofilia depois da publicação de um relatório sobre atos cometidos entre 1996 e 2009 por 19 sacerdotes da diocese de Cloyne (sul).

Esse relatório concluiu que a resposta das autoridades católicas irlandesas havia sido "inadequada e inapropriada".

"O estupro e a tortura de menores foram subestimados ou `tratados` para proteger a instituição, seu poder e sua reputação", declarou Enda Kenny, estimando que o relatório deixava claros "a disfunção e a desconexão (das realidades), o elitismo, o narcisismo que dominam na cultura do Vaticano atualmente".

No dia 25 de julho, depois dessas críticas, o Vaticano decidiu chamar para "consultas" o seu núncio apostólico na Irlanda.