Bispo é removido na Austrália, e o povo se levanta em sua defesa

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02 Mai 2011

Nesta segunda-feira, 2 de maio, com um comunicado seco, o Vaticano informou que "o Santo Padre Bento XVI removeu do cuidado pastoral da diocese de Toowoomba, Austrália, Sua Eminência William M. Bishop Morris" (foto).

A nota é de Sandro Magister, publicada em seu blog Settimo Cielo, 02-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Aos 67 anos de idade, Dom Morris está longe do limite canônico da aposentadoria, fixado aos 75 anos. Ele parece estar em boa saúde física.

O Vaticano manteve silêncio sobre os motivos da sua remoção. Mas, no dia anterior, domingo 1º de maio, Morris os colocou na praça em uma carta que ele fez com que fosse lida em todas as igrejas de sua diocese.

O bispo culpa uma visita apostólica que lhe foi imposta pelo Vaticano, depois que, na Quaresma de 2006, ele havia publicado uma carta pastoral que, diz ele, foi "deliberadamente mal entendida".

Naquela carta de 2006, Morris escreveu que tinha a intenção de ordenar mulheres ao sacerdócio e de chamar pastores protestantes para rezar missa, para suprir a falta de padres próprios. Sem contar que, há muito tempo, ele fazia com que se desse na diocese a absolvição coletiva, sem a confissão individual dos pecados.

A Santa Sé enviou como visitador a Toowoomba, pequena diocese nos arredores Brisbane, no sudeste da Austrália, o arcebispo norte-americano de Denver, Charles J. Chaput.

Chaput foi, viu e entregou o seu relatório às autoridades vaticanas, que, evidentemente apreciaram o seu trabalho, visto que, em 2009, o nomearam visitador nada menos do que dos Legionários de Cristo.

Mas, com os seus ritmos de caracol, só nesta segunda-feira as autoridades vaticanas chegaram a uma conclusão e removeram o bispo Morris de Toowoomba. O qual, em sua carta lida aos fiéis no último domingo, disse que nunca aceitou renunciar e que ainda têm consigo "o apoio da grande maioria do povo e dos padres da diocese".

Ele estava pronto, acrescentou, para negociar com Roma uma "retirada antecipada". Mas acusou Bento XVI em pessoa por ter desejado caçá-lo, sem o devido processo e negando-lhe os direitos de defesa.

Dada a revolta popular em seu apoio, o caso de Morris lembra o que aconteceu há alguns meses em Orvieto, na Itália, depois que o Vaticano havia removido o bispo Giovanni Scanavino, após uma visita apostólica que havia encontrado as suas culpas no recrutamento e na formação dos padres.

Depois de tê-lo julgado incapaz e de tê-lo caçado, Roma nomeou Dom Scanavino, no entanto, como presidente da Federação Italiana para os Exercícios Espirituais.

Só o que nos falta é que promovam Morris a reitor de seminário.