Gustavo Petro: quem é o esquerdista que pode ser presidente da Colômbia?

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15 Março 2022

 

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ex-guerrilheiro venceu as prévias de sua coalizão.

 

Imagem: Petro e o presidente do Chile, Gabriel Boric, durante a posse do último, no dia 11 de março.| Foto: reprodução / Twitter

 

A reportagem é de Thales Schmidt, publicada por Brasil de Fato, 14-03-2022.

 

Com o senador e economista Gustavo Petro, a Colômbia poderá ter o primeiro presidente de esquerda de sua história. De acordo com pesquisas de intenção de voto, e a expressiva votação de Petro nas prévias de sua coalizão, ele é o favorito para substituir o impopular Iván Duque no cargo de presidente nas eleições de 29 de maio.

A coalizão de Petro, Pacto Histórico, conquistou 16 cadeiras no Senado nas eleições do último domingo (13), em 102 possíveis, empatando com o Partido Conservador Colombiano. É o melhor resultado da esquerda na história das eleições colombianas. A coalizão de Duque, Centro Democrático, perdeu 22 cadeiras no Congresso.

O Pacto Histórico também teve o maior número de votos para a Câmara de Deputados, fazendo 25 cadeiras, mas ainda atrás do Partido Liberal Colombiano (32) e empatado com o Partido Conservador Colombiano.

Sobre a corrida presidencial, levantamento da empresa Invamer, publicado pelo jornal colombiano El Espectador, indica que Petro tem entre 43,5% no pior dos cenários, e 47,6% no melhor deles, de intenção de voto no primeiro turno das eleições. Nenhum outro nome se aproxima e o senador flerta com uma vitória no primeiro turno, afirma a publicação.

Em um eventual segundo turno, Petro tem uma vantagem que varia entre 15 pontos percentuais no pior dos cenários e 30 pontos percentuais no enfrentamento que lhe é mais favorável.

Desgastado por uma greve geral em 2021 que mobilizou o país, e resultou em dezenas de mortos e ajuda a explicar o fortalecimento da esquerda, Iván Duque é reprovado por 70,7% da população. Na última quinta-feira (10), o presidente colombiano esteve na Casa Branca, onde encontrou o presidente dos EUA, Joe Biden, e anunciou que a Colômbia será designada "aliado preferencial extra-Otan".

O nome de Duque, e do Centro Democrático, para as eleições presidenciais era o ex-senador Óscar Iván Zuluaga. mas a candidatura dele foi retirada nesta segunda-feira (14). Zuluaga declarou que, tendo em vista os resultados das eleições legislativas e a "necessidade de unidade para o bem da Colômbia", desistiu de ser candidato e passará a apoiar o ex-prefeito de Medellín Federico Gutiérrez, conhecido como "Fico".

 

Quem é Petro?

 

Nascido em 19 de abril de 1960, Petro já afirmou que foi criado dentro da Igreja Católica e foi influenciado pela Teologia da Libertação. Desde a adolescência, foi próximo de movimentos de trabalhadores. É formado em Economia.

Petro foi militante do grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril (M-19) na sua juventude e tinha o codinome de "Comandante Aureliano". Organizado após a denúncia de fraudes na eleição de 1970, o M-19 fez parte de uma onda de movimentos guerrilheiros na América Latina que também contou os Tupamaros no Uruguai e os Montoneros na Argentina .Na década de 1970, o M-19 abandonou as armas e se transformou em um partido político.

Na política partidária, o hoje presidenciável fez longa carreira. Foi deputado (1991-1994 e 1998-2006), prefeito de Bogotá (2012-2015) e atualmente é senador (2018). Sua atuação é marcada por denúncias ao ex-presidente Álvaro Uribe, e de outros segmentos da política colombiana, de vínculos com grupos paramilitares.

 

Quais são as propostas de Petro?

 

Em sua terceira candidatura presidencial, o candidato da coalizão Pacto Histórico defende o fim da concessão de novos contratos de exploração de petróleo na Colômbia. Ele afirma que o país precisa abandonar o extrativismo e apostar em uma economia "do trabalho e do conhecimento".

A proposta não é simples. De acordo com dado da agência Fitch, citado pelo jornal El Colombiano, o petróleo é responsável por cerca de 40% da renda obtida pelo Governo Federal da Colômbia.

"A Colômbia depende há 30 anos da exportação de carvão e petróleo, o outro setor de exportação é a cocaína, e não são mundos separados, interagem entre si, movimentam-se como uma grande massa de liquidez que fez a sociedade acreditar na ilusão de que ficou rica . Essas bolhas estouraram e parte da crise atual tem a ver com isso. Política, ética e economicamente, não é sustentável para um país se sustentar com petróleo, carvão e cocaína", afirmou Petro ao jornal espanhol Público.

Petro também pretende fazer uma reforma agrária, revogar a reforma tributária aprovada por Duque em 2019 e aumentar os impostos dos mais ricos. Para o presidenciável, é necessário aumentar o "valor agregado" dos produtos do campo e a Colômbia pode se especializar na produção e venda de 11 alimentos: mandioca, milho, arroz, trigo, batata, abacate, banana, soja, sorgo, inhame e tomate.

"Meu governo de quatro anos será de transição, de uma economia extrativista baseada em petróleo e carvão, para uma economia produtiva, agrária e agroindustrial. No século XXI, isso significa uma transição da ignorância para o conhecimento, do autoritarismo para a democracia, da violência para a paz, de uma sociedade machista para uma sociedade de mulheres", destacou Petro em entrevista.

No campo da segurança pública, Petro defende o acordo de paz com as FARC, acusa Duque de sabotar o programa, e defende uma solução semelhante para desarmar o Exército de Libertação Nacional (ELN).

 

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