Igreja Universal do Reino de Deus é condenada a pagar indenização a pastor vasectomizado

Fachada do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus, no Brás, São Paulo. | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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16 Setembro 2020

O juiz Marcos Vinícius Barroso, da 12ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, condenou a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) a pagar 50 mil reais por danos morais ao pastor que denunciou ter sido obrigado pela instituição, há 17 anos, a realizar vasectomia e a transportar valores do dízimo em seu carro particular.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

O pastor indenizado informou que ele e outros 30 colegas passaram pelo procedimento. Todos os ministros solteiros da Universal são obrigados a fazer vasectomia antes de se casarem, reza a denúncia.

A IURD recorreu alegando, segundo matéria do G1 Minas Gerais, que o direito de reivindicar a indenização estava prescrito. A Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região em Belo Horizonte entendeu que o dano sofrido pelo “autor ao realizar a vasectomia é um dano de personalidade, sendo imprescritível como a doutrina e a jurisprudência nos ensinam”.

Em nota, a IURD afirmou que vai recorrer da condenação, pois alegou que é “facilmente desmentida pelo fato de muitos bispos de pastores da Universal, em todos os níveis da hierarquia da Igreja, têm filhos. São mais de 3 mil filhos naturais de membros do corpo eclesiástico da Igreja”. Quanto ao dízimo, a instituição alegou que “por motivos de segurança” ela não comenta “questões relativas a transporte de valores”.

Também pastores ligadas à Universal em Angola, agora dissidentes, denunciaram a obrigatoriedade da vasectomia para ingressar no quadro de pregadores da instituição.

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