O abraço do Papa entre as ruínas de Amatrice

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Outubro 2016

Há imagens que fazem bem ao coração e que fazem sentir que, apesar de tudo, é possível construir um mundo novo. Uma delas, outra vez, foi protagonizada pelo Papa Francisco que, na manhã desta terça-feira e em uma visita relâmpago (embora alguns o ficaram sabendo no dia anterior), chegou de carro a Amatrice, o epicentro do devastador terremoto que assolou o centro da Itália no dia 24 de agosto passado.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 04-10-2016. A tradução é de André Langer.

Ele apareceu apenas com a escolta do seu fiel Domenico Giani, o porta-voz Greg Burke e o bispo de Rieti, com quem falou todos os dias desde a tragédia. Os primeiros passos o levaram até a nova escola, construída em um barracão muito perto dos restos da antiga, que desabou com o terremoto. Ali, encontrou-se com cerca de 100 alunos, que o abraçaram, beijaram e escutaram falar.

Se dessem a Francisco um centésimo de cada selfie que fazem com ele, seguramente hoje teria acabado a pobreza sobre a Terra (se isso realmente dependesse do dinheiro e não das desigualdades na distribuição e do egoísmo próprio do ser humano; mas isso é assunto para outro artigo). Nem uma queixa, nem uma cara feia: um sorriso e um olhar acolhedor.

O momento mais emocionante foi seu encontro com um homem quebrado, que perdeu a mulher e dois filhos naquela fatídica noite. 297 mortos, cada um com um nome, uma história, uma recordação, um vazio. Milhares de pessoas, ainda hoje, vivem em barracas. Aquele homem agarrou-se à mão de Francisco como se fosse um madeiro vencido pela força das ondas.

O Papa é, além de sua presença, de sua oração, de suas palavras, o símbolo da esperança diante de qualquer derrota, a segurança de que alguém, em algum lugar, nos sustenta. Ninguém, a esta altura, poderá negar que Bergoglio é um motor impressionante para a fé de muitos. O abraço com aquele homem, que pareceu eterno, simboliza o abraço de toda a humanidade a quem sofre. Uma nova demonstração do pontificado da misericórdia.

Depois, uma parada. Impressionante. Tremenda. O Papa, sozinho, em pé, rezando, em silêncio e com os olhos fechados. À esquerda e à direita, os escombros. Ao fundo, o campanário da igreja que se mantém em pé em meio aos destroços da “zona vermelha”. Outro símbolo de uma fé que se mantém, mesmo que não entenda as razões, se é que elas existem, para tanta devastação.

Francisco, imbuído de um absoluto recolhimento, concentra em sua oração todas as lágrimas, todo o esforço, toda a coragem de milhares de voluntários, profissionais e pessoas de bem que, dois meses depois, continuam a chegar a Amatrice para curar as feridas, ouvir quem sofre, retirar os escombros das ruas e escorar um edifício. Resta muito a ser feito, mas hoje, também hoje, sabemos que é possível.

E que, em certas ocasiões, virá um homem, sem outros atributos que seu exemplo, para nos recordar isso. Porque recordar é voltar ao coração, e daí nasce o amor, a caridade, os sentimentos mais nobres que Deus pôde colocar em nosso interior. Porque, como nos recordou em sua recente viagem à Geórgia, somente abrindo uma a uma as portas do coração, podemos deixar que Deus atue em nós.

E aí nos tornamos instrumentos de sua paz. Belo dia para recordar esta última frase, pois não é por acaso que Bergoglio quisesse visitar Amatrice no dia de São Francisco de Assis. Porque nada acontece por acaso, assim como não foi mero acaso que o Espírito soprasse há agora três anos e meio, e de uma barca em ruínas surgisse um homem, apenas um homem, com a santa intenção de reformá-la e deixá-la tão bonita como no-la apresentou o Ressuscitado. Das ruínas, hoje comprovamos isso, também pode brotar a beleza.

Leia mais...

O Papa nos lugares do último terremoto na Itália: “Eu não queria incomodar”

Terremoto na Itália: "Dizer o nome dos mortos já é uma oração." Entrevista com Domenico Pompili, bispo de Rieti

Itália. Francisco visitará nos próximos dias as localidades destruídas pelo terremoto

Terremoto na Itália desperta onda de solidariedade; refugiados doam vales

Isso nunca havia acontecido. Terremoto na Itália. Papa, comovido, adia a Catequese da Audiência geral de quarta-feira

“Um terremoto como o de Amatrice voltará a acontecer”

Itália: Papa revela intenção de visitar vítimas do sismo

Francisco reza diante das ruínas da zona zero de Amatrice