Facebook controla posts e torna sociedade mais passiva

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27 Julho 2016

Nós pensamos na internet como algo que está rompendo, e às vezes substituindo, instituições e indústrias tradicionais, à medida que vai crescendo e mudando. Hoje existem mais de 3,2 bilhões de usuários, e com o tempo, algumas empresas - o Facebook, a Apple e o Google entre elas — passaram a ter uma influência considerável sobre como usamos a internet.

A reportagem é de Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt, publicada por Freakonimics e reproduzida por portal Uol, 27-07-2016.

Zeynep Tufekci, uma professora da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, que estuda o impacto social da tecnologia, notou um problema preocupante em agosto de 2014. Ela estava acompanhando as notícias pelo Facebook e pelo Twitter, e percebeu que o Twitter estava cheio de atualizações depois que um policial branco atirou em Michael Brown, um negro de 18 anos morador de Ferguson, no Missouri.

Enquanto isso, o algoritmo do Facebook, com sua ênfase no que as pessoas "curtem", deixou passar grande parte dos protestos. "Eu entrava no Facebook e não via nada", contou Tufekci ao "Freakonomics" recentemente. "Esses algoritmos complexos do Facebook estão tendo todos esses efeitos... o Facebook está lançando esses programas que são feitos para tornar o Facebook amigável para anunciantes e que são feitos para nos manter dentro do site."

Algumas pessoas argumentam que o Facebook tem censurado notícias, ou pelo menos manipulado-as. Tufekci acredita que o problema começou nos primórdios da internet: "O dilema enfrentado pelas empresas de internet à medida que elas foram crescendo era sobre qual modelo de financiamento escolher. Elas escolheram o financiamento por anúncios, o que significa que você precisa agradar a Wall Street e a anunciantes, que por sua vez significa que você precisa ter um certo tipo de experiência online... o Facebook responde de forma significativa a seus anunciantes."

Ela tenta usar serviços pagos sempre que possível, de forma que seus dados não sejam vendidos e que ela não precise ver anúncios. "Conheço muita gente que quer usar sites gratuitos. E só quero dizer que isso tem um custo real."

Yochai Benkler, professor da escola de direito de Harvard e diretor do Berkman Center for Internet&Society, alega que o maior desafio para uma internet aberta é o fato de que a maioria dos consumidores simplesmente não sabem nem se importam tanto como o universo online realmente funciona. "A maneira como os economistas falam sobre ele são externalidades", ele disse. "Ao usar essa estrutura tão conveniente e simplificada, você está abraçando um sistema que torna a inovação, a criatividade e a divergência um pouco mais difíceis."

Na visão de Benkler - e talvez na sua também - a internet tem o potencial de criar uma sociedade mais comprometida e criativa. O risco é de que aqueles que controlam o acesso e aqueles que lucram a transformem em um ecossistema mais passivo. "Não estamos falando do Grande Irmão, de '1984' e de toda aquela tristeza", ele disse. "Estamos falando sobre algo que é muito mais como 'Admirável Mundo Novo', e no geral estamos bem felizes no dia a dia, e não sabemos quais são as alternativas além disso porque fomos mais ou menos moldados e manipulados para desfrutar o que estamos desfrutando.

Você pode argumentar que "ser manipulado para desfrutar o que estamos desfrutando" não é a pior coisa do mundo. É fácil se descontrolar com qualquer nova tecnologia, e a internet ainda é relativamente nova. Se você fosse o cara que descobriu o fogo, seus amigos poderiam vê-lo inicialmente como uma ameaça: "Ei, você vai incendiar a caverna!" A internet se provou muito útil, mas só um tolo pensaria que você não vai se queimar de vez em quando.

(Este episódio foi inspirado por uma edição recente de "Daedalus", a publicação da Academia Americana de Artes&Ciências.)