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12 Julho 2016

"O funeral das ideologias não apenas varreu – beneficamente – os dogmatismos, as histerias teóricas, os sistemas cristalizados. Também simplificou o pensamento, banalizou a projetualidade, zombou dos ideais, apagou a dialética, reduziu o debate ou a vazio ou a confronto."

A opinião é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado no jornal Il Sole 24 Ore, 10-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"Estranha época – dirão os historiadores do futuro sobre nós – aquela em que a esquerda não era esquerda, a direita não era direita, e o centro não estava no meio."

Lembro-me dele nos anos 1960, como ministro da Cultura com o retorno de De Gaulle ao poder. André Malraux, porém, tinha sobre as costas uma vida turbulenta como escritor, arqueólogo, crítico, viajador, combatente, aventureiro. Nascido incendiário, morreu bombeiro, ao menos em nível político. E, sobre a política, escreveu coisas como a citada acima, que pareceria o comentário de um notista parlamentar dos nossos dias (e, ao contrário, Malraux morreu em 1976).

O funeral das ideologias não apenas varreu – beneficamente – os dogmatismos, as histerias teóricas, os sistemas cristalizados. Também simplificou o pensamento, banalizou a projetualidade, zombou dos ideais, apagou a dialética, reduziu o debate ou a vazio ou a confronto.

Por isso, talvez seja necessário retornar à distinção, à doutrina, à gama das cores, abandonando o cinza monocromático.