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02 Novembro 2013

Cabe a luteranos e a católicos converterem-se ao único Senhor, redescobrir os caminhos que a Palavra de Deus traça nas suas vidas, renovar aquele desejo de ser portadores de uma boa notícia que é mensagem de esperança para a humanidade inteira.

A opinião é de Guido Dotti, monge da Comunidade de Bose, especialista em questões ecumênicas, em artigo publicado no sítio da revista Popoli, dos jesuítas italianos, 31-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como todos os anos, no dia 31 de outubro as Igrejas luteranas festejam o aniversário do evento que, simbolicamente, deu início à Reforma Protestante: a fixação das 95 teses de Lutero em Wittenberg, em 1517.

Uma festa para celebrar uma dilaceração da Igreja? Talvez, ao longo dos séculos, foi isso, mas hoje não mais: o caminho ecumênico percorrido nas últimas décadas, particularmente a partir do Concílio Vaticano II, obteve resultados inimagináveis apenas meio século antes. Assim, as Igrejas se encaminharam para chegar a comemorar conjuntamente o 500º aniversário da Reforma, que ocorrerá em 2017.

Mas como foi possível essa cura – ou, ao menos, esse remédio eficaz – das memórias? No dia 17 de junho passado, foi tornado público um documento, "Do conflito à comunhão. A comemoração comum luterano-católica da Reforma em 2017", elaborado pela Comissão Teológica Bilateral. Um texto que percorre a história dessa demanda evangélica que logo se transformou em divisão da Igreja do Ocidente.

É um relato compartilhado dos acontecimentos do passado, que não se esconde atrás de lugares comuns, nem evita interrogações cruciais, mas que aborda as questões mais candentes da época e de hoje com a intenção de reconstruir uma história comum, de reconhecer os erros cometidos e as intenções distorcidas, assim como as consequências positivas na vida de cotidiana diária de tantos cristãos.

É um texto denso, fruto não apenas do ótimo trabalho de teólogos e historiadores da Igreja, mas ainda mais da vivência cotidiana de tantas comunidades cristãs. Também se capta um clima mais propenso a buscar não só "o que nos une, que é maior do que o que nos divide" (para citar João XXIII), mas principalmente Aquele que une os cristãos, Cristo mesmo, maior e mais forte do que aquele que divide, o diabo, cujo nome é "divisor", justamente.

Essa reflexão teológica acompanha pela mão também aqueles que conhecem da Reforma e da Contrarreforma apenas alguns episódios, em sua maioria negativos: excomunhões, condenações recíprocas, perseguições, cedência ao poder temporal.

O texto termina com uma afirmação decisiva – "o conflito do século XVI acabou" – e coloca cinco "imperativos" a serem assumidos como tarefas inevitáveis daqui até 2017: demandas evangélicas que projetam as Igrejas ao testemunho prestado a Cristo em meio aos homens e às mulheres do nosso tempo e que oferecem o único critério decisivo para uma celebração autenticamente cristã: "As origens da Reforma serão lembrados de maneira adequada quando luteranos e católicos ouvirem juntos o Evangelho de Jesus Cristo e se deixarem chamar novamente a fazer comunidade junto do Senhor".

Eis a perene vocação cristã: fazer comunidade com o Senhor Jesus. Com ele e ao redor dele as nossas infidelidades são envolvidas pelo seu perdão, e as nossas diferenças se tornam carismas complementares em benefício do percurso da Palavra na história.

Realmente, os teólogos fizeram a sua parte. Agora cabe aos cristãos converterem-se ao único Senhor, redescobrir os caminhos que a Palavra de Deus traça nas suas vidas, renovar aquele desejo de ser portadores de uma boa notícia que é mensagem de esperança para a humanidade inteira: a vida é mais forte do que a morte, o Senhor venceu a morte, para todos e para sempre.