Educar para a vida: cuidado, respeito e sentido. Artigo de Robson Ribeiro

Foto: Arquivo | Agência Brasil

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29 Setembro 2026

"Cuidar da vida, no fundo, é cuidar uns dos outros. E, na escola, isso começa quando aprendemos que respeitar, ouvir, zelar e reconhecer o outro também são formas de dizer: você importa."

O artigo é de Robson Ribeiro, teólogo, filósofo e professor, formado em História, Filosofia e Teologia, áreas nas quais trabalha como professor em Juiz de Fora (MG), professor e pesquisador.

Eis o artigo. 

Setembro nos convida a voltar o olhar para aquilo que muitas vezes esquecemos no cotidiano: a vida precisa ser cuidada. Mais do que uma campanha restrita a um período do ano, o Setembro Amarelo pode ser compreendido como uma oportunidade para refletirmos sobre a importância dos vínculos, da escuta, da presença e da construção de ambientes nos quais cada pessoa perceba que sua existência possui valor.

Cuidar começa por reconhecer o outro. Em uma sociedade marcada pela velocidade, pela exposição e pela necessidade constante de desempenho, precisamos reaprender a olhar para as pessoas para além de seus resultados. Cada indivíduo possui uma história, sentimentos, dificuldades, potencialidades e possibilidades. A dignidade de uma pessoa não depende de sua produtividade, de suas conquistas ou da aprovação dos outros.

Essa reflexão possui especial importância na educação. A escola não é apenas lugar de conteúdos e avaliações; é também espaço de convivência, formação de vínculos e construção da identidade. Educar significa ensinar conhecimentos, mas também formar pessoas capazes de respeitar, dialogar, assumir responsabilidades, enfrentar frustrações e reconhecer o valor de si mesmas e dos outros.

Nesse horizonte, a contribuição de Viktor Frankl permanece especialmente significativa. Para ele, a existência humana está profundamente relacionada à busca de sentido. O sentido não elimina as dificuldades, mas oferece uma direção para a existência. Por isso, educar também significa ajudar crianças e jovens a descobrir aquilo que torna suas vidas significativas: relações, projetos, responsabilidades, valores, sonhos e possibilidades de contribuir para o mundo.

É nesse ponto que o respeito em sala de aula deixa de ser apenas uma regra disciplinar e passa a ser uma expressão concreta do cuidado. Respeitar o professor é reconhecer o valor de quem está ali para ensinar; respeitar o colega é reconhecer que aquela pessoa também possui uma história, uma dignidade e o direito de aprender. Ouvir enquanto alguém fala, cuidar do espaço comum, evitar humilhações, não transformar o outro em motivo de piada e saber conviver com as diferenças são atitudes aparentemente simples, mas profundamente educativas.

O zelo também se manifesta nas pequenas coisas. Cuidar da sala, dos materiais, do ambiente, da palavra e do tempo do outro significa compreender que aquilo que é coletivo pertence, de alguma maneira, à responsabilidade de todos. Quem aprende a cuidar das coisas precisa também aprender a cuidar das pessoas. E quem aprende a respeitar o outro começa a compreender que nenhuma convivência saudável pode existir quando a dignidade de alguém é tratada como algo descartável.

Por isso, o cuidado com a vida começa muito antes dos grandes discursos. Ele aparece na maneira como cumprimentamos alguém, na atenção que oferecemos, na forma como corrigimos, na capacidade de pedir desculpas, na disposição para ouvir e na responsabilidade de não ferir gratuitamente. A escola educa também por aquilo que acontece entre uma explicação e outra, entre uma atividade e outra, nos corredores, nos intervalos e nas relações cotidianas.

Valorizar a vida, portanto, não significa negar as dificuldades, mas criar condições para que ninguém seja reduzido a elas. Significa fortalecer vínculos, cultivar esperança e construir espaços onde seja possível falar, escutar, pedir ajuda, recomeçar e perceber que não precisamos enfrentar tudo sozinhos. Precisamos estar presentes na família, na escola, nas amizades, nas comunidades e em todos os lugares onde pessoas encontram pessoas.

Educar para a vida é ensinar que cada existência possui valor, que cada pessoa importa e que o respeito é uma das formas mais concretas de demonstrar isso.

Cuidar da vida, no fundo, é cuidar uns dos outros. E, na escola, isso começa quando aprendemos que respeitar, ouvir, zelar e reconhecer o outro também são formas de dizer: você importa.

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