A estratégia de André Mendonça e dos jornalões

Foto: Luiz Roberto/TSE

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05 Setembro 2026

A imprensa tratará de ocultar as suspeitas sobre Mendonça enquanto alimenta a fogueira contra Moraes, Gonet e Rodrigues.

O artigo é de Luís Nassif, publicado por GGN, 04-09-2026.

Luis Nassif é jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Eis no artigo.

O criminalista Daniel Bialski já defendeu Michelle Bolsonaro, Cláudio Castro, Onyx Lorenzoni, Milton Ribeiro e Carla Zambelli. É o advogado preferido pelo bolsonarismo. Ele foi contratado por Vorcaro para reabrir as chances de uma delação premiada. Em meados de agosto, Bialski realizou uma reunião oficial com o ministro André Mendonça. No mesmo horário em que Vorcaro tinha uma oitiva agendada com a Polícia Federal, a administração da Papudinha — o presídio onde ele se encontra — armou uma arapuca: informou falsamente à PF que o sistema de transmissão não estava funcionando. Simultaneamente, foi prestado depoimento a João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça.

Nessa oitiva, Vorcaro fez referências a viagens e despesas supostamente pagas em favor de Andrei Rodrigues, chefe da PF, sem apresentar provas. Há duas estratégias que se completam. Do lado de Vorcaro, a delação é a única saída.

No instituto da delação premiada, só são aceitos acordos de quem aponta responsabilidades no andar de cima, isto é, de seus superiores. Como Vorcaro era o cabeça do esquema, quem seriam esses superiores? A saída encontrada foi implicar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes. A segunda estratégia insere-se na guerra híbrida em curso, promovida com a interferência do Departamento de Estado norte-americano.

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A jogada de Mendonça ao exigir um relatório da PF sobre Alexandre de Moraes, atropelando os procedimentos de praxe para jogar lama no ventilador, visou implodir todo o sistema de Justiça — a última trincheira institucional contra o golpismo. Não é por outro motivo que o acordo foi selado entre Mendonça e um advogado estreitamente ligado ao bolsonarismo – para surpresa dos demais advogados, do escritório Leonardo, banca respeitada em Belo Horizonte.

Pouco importa o desfecho desse imbróglio. O papel dos jornalões

A análise da cobertura da imprensa reforça a ideia da subordinação dos grupos de mídia à pressão do Departamento de Estado. Há dois temas em pauta. De um lado, as denúncias que expõem os encontros de André Mendonça com Daniel Vorcaro na sede do ITER e as suspeitas sobre contratos firmados com empresas do ex-banqueiro. De outro, os escândalos — ainda sem provas — armados por Vorcaro contra altas autoridades. Tome-se a home dos três principais jornais no final da tarde de ontem:

O Globo

Capa do jornal O Globo.

Uma pequena nota na coluna à direita. Internamente menciona a reportagem de Paulo Motoryn no ICL.

Estadão

Capa do Jornal Estadão

Nenhuma nota sobre o encontro de Vorcaro e Mendonça.

Folha

Capa da Folha de São Paulo

Desfecho

Pouco importa a procedência das acusações; o objetivo é manter a fogueira acesa até as eleições. A imprensa tratará de ocultar as suspeitas sobre Mendonça enquanto alimenta a fogueira contra Moraes, Gonet e Rodrigues. Repito o que escrevi ontem: se essas manobras derem a vitória a Flávio Bolsonaro, agosto de 2026 será o mês que entrará na história da imprensa brasileira como o marco definitivo da traição final à democracia brasileira.

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