02 Setembro 2026
Um relatório da organização indica que a "ação insuficiente" leva ao excedimento temporário do limite que impede os piores impactos das mudanças climáticas, mas que é possível baixar a temperatura se as emissões de gases de efeito estufa forem reduzidas.
A reportagem é de Raúl Rejón, publicada por El Diario, 02-09-2026.
A temperatura global do planeta vai superar “nos próximos anos” o limite de segurança de 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais, segundo o último relatório da ONU sobre a situação climática, publicado nesta quarta-feira. Esse é o limite estabelecido no Acordo de Paris sobre mudanças climáticas como objetivo para o final do século XXI.
Os cálculos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apontam para um próximo pico das temperaturas que oscilará entre 1,8°C e 2°C acima dos níveis registrados antes do início das emissões massivas de CO₂ na atmosfera decorrentes das atividades humanas, especialmente pelo uso de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo.
“Este verão de calor escaldante , incêndios florestais e inundações mortais é um alerta do que está por vir”, reiterou o secretário-geral da ONU, António Guterres, após tomar conhecimento das conclusões do relatório.
🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google
“A ação insuficiente tornou inevitável ultrapassar 1,5 grau”, afirma a análise, lamentando que “décadas de alertas e compromissos científicos não tenham conseguido alcançar uma redução rápida nas emissões de gases de efeito estufa”. O resultado é que o aquecimento global — que está causando as mudanças climáticas globais — está “se aproximando e ultrapassará esse limite”.
O estudo explica ainda que, mesmo que o limite seja ultrapassado a curto prazo, a situação pode ser revertida a tempo de conter o aquecimento adicional do planeta dentro dos níveis estabelecidos no Acordo de Paris.
Essa ultrapassagem, como os especialistas a denominam, "levará os riscos e impactos climáticos a novos e perigosos picos", explica o relatório. Entre esses impactos, ele detalha eventos climáticos extremos (como secas ou tempestades torrenciais que levam a violentas inundações repentinas) e o risco de inundações devido à elevação do nível do mar em áreas costeiras e ilhas.
“O relatório soa mais uma vez o alarme sobre a necessidade urgente de ações rápidas para mitigar os impactos mais severos das mudanças climáticas”, explica um pesquisador do Centro de Supercomputação de Barcelona (BSC) em um comunicado ao Science Media Center (SMC). Ele também “fornece um relato detalhado do que é necessário e das possíveis consequências de novos atrasos em uma ação global coordenada”.
Nesse sentido, o aquecimento global além dos limites seguros causa, explicam os especialistas, "a ultrapassagem de pontos de inflexão difíceis de reverter em uma escala de tempo humana". Esses pontos de inflexão incluem a perda da floresta amazônica, o declínio da circulação do Oceano Atlântico (AMOC) e o derretimento do gelo marinho.
A diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, resume a situação: “Não podemos esperar nada de bom se permanecermos acima de 1,5 graus Celsius. Devemos garantir que esse excesso seja o menor e mais breve possível.”
A janela de oportunidade
Cientistas da ONU explicam que “se agirmos agora, podemos limitar esse excesso e fazê-lo diminuir”. Para alcançar esse objetivo, “é necessária uma resposta imediata para lidar com os impactos e reduzir as emissões”, além de gerenciar os riscos e trabalhar a longo prazo para baixar a temperatura depois que ela já tiver aumentado.
No entanto, este relatório reitera que o caminho para alcançar esse objetivo envolve necessariamente atingir emissões líquidas zero, “uma meta incontornável”. Garantir que, até o final do século XXI, a temperatura global da Terra não ultrapasse 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais implica, inclusive, emissões negativas e a remoção de carbono da atmosfera.
Ernesto Rodríguez, meteorologista-chefe da Associação Meteorológica Espanhola, enfatiza ao SMC que há esperança "desde que a ultrapassagem do limite de 1,5 grau não seja superior a alguns décimos de grau (0,2–0,3ºC) e seja limitada no tempo".
Leia mais
- Em quatro anos planeta deve atingir 1,5ºC de aquecimento, alerta estudo
- Chance de aquecimento da Terra ultrapassar 1,5°C aumentou, mostra estudo
- Aquecimento de 2ºC vai triplicar área incompatível com a vida humana no planeta, diz estudo
- Aquecimento de 2ºC vai triplicar área incompatível com a vida humana no planeta, diz estudo
- Aumento das temperaturas globais deve superar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais nos próximos 5 anos
- Agência vê pico de emissões até 2025, mas 1,5ºC ainda fora de alcance
- Sem trégua: mais uma onda de calor atinge o Brasil, a 4ª em 2025
- “Como em uma air fryer”: Brasil experimenta onda de calor extremo e prolongado
- Janeiro de 2025 foi o mais quente já registrado
- Copernicus: 2024 deve ser o ano mais quente da história e o primeiro com média acima de 1,5°C de aquecimento
- Confirmado: 2024 será o ano mais quente da história e superará limite do Acordo de Paris
- Mais um recorde da temperatura global em março de 2024. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
- No ritmo atual, a Terra deve se aquecer quase 3ºC neste século, mostra ONU
- Recorde de emissões globais de CO2 e o ano mais quente da história. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
- Planeta vai esquentar 1,5º C uma década antes do previsto e terá eventos climáticos extremos, diz ONU