Ativistas amarrados e de joelhos: Ben Gvir humilha os prisioneiros. Artigo de Andrea Sceresini

Foto: Ben Gvir via X

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22 Mai 2026

Um destino muito mais duro poderá aguardar muitos ativistas que participaram de uma ou mais missões anteriores e que já no passado foram expulsos pelo governo de Tel Aviv: segundo seus advogados, eles poderão enfrentar novas medidas, com consequências potencialmente graves. 

O artigo é de Andrea Sceresini, jornalista italiano, publicado por il manifesto, de 21-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

As imagens mostram dezenas de pessoas encolhidas de joelhos, com as mãos para trás e os pulsos algemados com abraçadeiras de plástico. Entre elas, um homem corpulento, de camisa preta, brandindo uma bandeira israelense grita em tom ofegante: "Bem-vindos a Israel, aqui quem manda somos nós!" E então, dirigindo-se aos demais presentes, em sua maioria agentes do Shin Bet: "Vejam como estão agora! Não são heróis, são apoiadores do terrorismo! Por isso, peço a Netanyahu que os entregue a mim por um longo tempo, para que sejam postos na prisão junto com os outros terroristas!" O homem que grita é o Ministro da Segurança Nacional de Tel Aviv, Itamar Ben Gvir, e é assim que, na manhã de ontem, ele recebeu no porto de Ashdod os 425 ativistas da Flotilha Global Sumud, sequestrados em águas internacionais pelo exército israelense. O vídeo da grotesca performance rapidamente viralizou pelo mundo, causando assombro, especialmente entre aqueles que desconhecem o currículo do ministro.

A arte de agir com crueldade e violência contra os indefesos é uma das especialidades mais notórias de Ben Gvir, que - como amplamente documentado em suas próprias páginas nas redes sociais - costuma realizar blitz periódicas nas prisões onde estão detidos os prisioneiros políticos palestinos, obrigando-os a deitar no chão e zombando impiedosamente deles diante das câmeras. Na manhã de ontem, ele estava acompanhado de sua colega Miri Regev, Ministra dos Transportes, que — sempre falando diretamente para a câmera — bradou: "Garanto a vocês que essas pessoas não trouxeram nenhuma ajuda humanitária! Chegam drogadas e bêbadas, e são apoiadoras do terrorismo! O lugar delas é na prisão!" Entre os ativistas filmados ​​está também a ex-candidata à presidência da Toscana, Antonella Bundu, cuja embarcação, a Don Juan, foi uma das últimas a ser atacada pelos militares da Shayetet 13 na tarde de terça-feira.

Junto com ela, estão outros 28 cidadãos italianos, para os quais — assim como para todos os outros presos — se abriram na noite passada as portas do infame campo de detenção de Ketziot, no deserto do Negev, para onde membros da flotilha anterior também haviam sido deportados. Segundo os advogados, é provável que, 24 horas após a identificação, grande parte dos ativistas seja embarcada num voo aéreo e expulsa de Israel. Isso significa — considerando também os longos trâmites burocráticos decorrentes do grande número de prisões — que a maioria dos detidos não será posta em liberdade antes de amanhã. A única exceção, por ora, é o deputado do Movimento Cinco Estrelas, Dario Carotenuto, o único parlamentar a bordo dos barcos que, juntamente com o jornalista do Il Fatto Quotidiano, Alessandro Mantovani, foi posto em um voo para Atenas na noite passada.

Um destino muito mais duro poderá aguardar muitos ativistas que participaram de uma ou mais missões anteriores e que já no passado foram expulsos pelo governo de Tel Aviv: segundo seus advogados, eles poderão enfrentar novas medidas, com consequências potencialmente graves. De qualquer forma, espera-se que todos os presos sejam colocados em contato direto com as delegações diplomáticas de seus respectivos países e com os advogados da organização palestina Adalah, que historicamente atua na defesa dos prisioneiros palestinos nas prisões israelenses.

Somente após esses encontros iniciais saberemos mais sobre o tratamento que sofreram durante as primeiras fases de sua detenção. O que se sabe com certeza, por enquanto, é que todos os ativistas foram transferidos para o navio-prisão Ins Nahshon, já utilizado durante os ataques de 29 e 30 de abril como uma espécie de pequeno campo de detenção flutuante, e que a bordo dele chegaram a Ashdod ontem. Assim que atracaram, os 425 membros da Flotilha Global Sumud foram levados sob custódia por agentes da polícia e membros do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel que, depois de obrigá-los a se ajoelhar perante o Ministro Ben Gvir e seus pares, foram colocados em dezenas de vans de segurança e levados para Ketziot.

"Os voluntários", escreveu a Global Sumud Italia em um comunicado, "homens e mulheres, jovens e idosos, são maltratados a cada deslocamento, mantidos em posições humilhantes e desconfortáveis, amarrados e espancados." Além disso, "Israel está adotando uma política criminosa de abuso e humilhação contra ativistas que buscam se opor aos crimes contínuos de Israel contra o povo palestino. Esses eventos ocorrem depois que a Adalah já havia documentado padrões semelhantes de maus-tratos contra ativistas em missões anteriores das flotilhas, pelas quais Israel não sofreu nenhuma consequência."

Na terça-feira, a equipe jurídica italiana da Flotilha Global Sumud apresentou formalmente uma denúncia "pelo crime de sequestro (art. 605 do Código Penal) em relação aos eventos ocorridos em 29 de abril, 18 e 19 de maio de 2026", solicitando "a ativação imediata das autoridades judiciais competentes para apurar as responsabilidades penais, configurando o crime de sequestro agravado pelo uso de armas e com a participação de vários sujeitos".

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