Safra de arroz agroecológico pode chegar a 14 mil toneladas

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23 Março 2026

23ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico reuniu, cerca de duas mil pessoas em assentamento do MST em Nova Santa Rita para marcar início da colheita.

A reportagem é publicada por ExtraClasse, 20-03-2026.

Sob o lema “Agroecologia é o Caminho”, a 23ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico reuniu, nesta sexta-feira, 20, famílias assentadas, autoridades e apoiadores no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

O evento marcou o início da colheita e teve como destaque a mística do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que resgatou a luta pela terra e homenageou Frei Sérgio Görgen, referência na defesa das sementes crioulas e da soberania alimentar. A expectativa é de uma safra de cerca de 14 mil toneladas de arroz agroecológico.

A encenação relembrou as ocupações e a organização coletiva dos assentamentos. Em um dos trechos, o coro destacou que “a terra conquistada não é apenas chão. É memória, coragem e futuro nas mãos do povo”. Frei Sérgio foi lembrado como “guardião das sementes” e símbolo da agroecologia.

A atividade também evidenciou os resultados do modelo produtivo. Segundo Nilvo Bosa, da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), a produção agroecológica foi definida ainda antes dos anos 2000, com foco em alimentos saudáveis. Hoje, são cerca de 2.800 hectares cultivados por aproximadamente 290 famílias em sete municípios do Rio Grande do Sul, com previsão de 14 mil toneladas nesta safra.

Autoridades destacaram a importância da produção. A deputada federal Reginete Bispo afirmou que “se o campo não planta, a cidade não janta”. Representantes do governo federal relacionaram a experiência a políticas públicas de adaptação climática e fortalecimento da agroecologia.

Durante o evento, foi firmado acordo para formação de agentes ambientais em dez municípios da Região Metropolitana, com foco em prevenção a desastres e apoio às comunidades, especialmente mulheres e meninas.

A produção também abastece programas públicos. Parte do arroz será adquirida por políticas de segurança alimentar. Para a consumidora Vera Lúcia Reis, “a importância é para a saúde, não tem veneno”.

A atividade terminou com partilha de alimentos produzidos no assentamento, reforçando o vínculo entre produção, comunidade e continuidade da luta.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) participou da festa e foi responsável por cerca de 30% das sementes da safra 2025/2026, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Em 2024, após as enchentes, o índice chegou a 100%.

O presidente da Conab Edegar Pretto ressaltou o impacto das políticas públicas no fortalecimento da produção de alimentos e no combate à fome. “Após a enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, 100% da semente de arroz orgânico plantado e colhido veio do PAA Sementes. Nesta safra, contribuímos com 30%. Seguimos apoiando a produção com compras públicas e formação de estoques, com prioridade para o arroz.

Estamos ao lado de quem produz, porque é da terra e do trabalho deles que vem o essencial para o povo brasileiro: a alimentação. Esse arroz abastece programas da Conab e ajudou o Brasil a sair do mapa da fome”, afirmou.

Em 2025, a Conab também adquiriu R$ 2,5 milhões em arroz orgânico dos assentados, fortalecendo estoques públicos e a política de preços mínimos.

A produção envolve cerca de 300 famílias em sete municípios gaúchos e a festa reuniu aproximadamente duas mil pessoas. A programação incluiu feira, atividades culturais e ações pedagógicas.

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