Festa do Batismo do Senhor – Ano A – O chamado a ser presença viva de Deus no mundo

09 Janeiro 2026

"Ao aceitar o batismo, Jesus manifesta sua total solidariedade com a humanidade. Ele, sem pecado, coloca-se na fila dos pecadores, assumindo nossa condição para redimi-la desde dentro." 

A reflexão é de Maria Letícia de Resende, fmvd. Ela é missionária consagrada da Fraternidade Missionária Verbum Dei. Ela possui graduação em Teologia (2000) pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica RS (PUCRS) e mestrado em Direito Canônico (2011) pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Coordena a Fraternidade Missionária Verbum Dei de três países (Argentina, Brasil e Chile) e atua na pastoral na comunidade eclesial de Vila Alpes/BH.

 

Leituras do dia

Is 42,1-4.6-7
Sl 28(29),1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)
At 10,34-38
Mt 3,13-17

Eis a reflexão.

Com a festa do Batismo de Jesus, concluímos o Tempo do Natal e damos início ao Tempo Comum; é o passo da vida oculta de Jesus de Nazaré à sua vida pública. O Evangelho proclamado neste domingo é Mateus 3,13-17, que apresenta Jesus descendo às águas do Jordão para ser batizado por João.

Jesus dirige-se a João, e surge imediatamente a pergunta: por que João se recusa a batizá-lo? A resposta encontra-se no contexto anterior: o batismo de João é um batismo de conversão, um chamado à metanoia, isto é, à mudança radical de vida (cf. Mt 3,2; Mc 1,4).

Diante de Jesus, João reconhece a própria pequenez: “Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3,14). Jesus, porém, responde: “Deixa por agora, pois convém cumprirmos toda a justiça” (Mt 3,15).

Ao aceitar o batismo, Jesus manifesta sua total solidariedade com a humanidade. Ele, sem pecado, coloca-se na fila dos pecadores, assumindo nossa condição para redimi-la desde dentro. Como afirma São Paulo: “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por nós” (2Cor 5,21).

O Catecismo da Igreja Católica explica: “Jesus aceita o batismo de João, destinado aos pecadores, para ‘cumprir toda a justiça’. Este gesto é uma manifestação de sua ‘kenosis’” (CIC, n. 536).

No momento do batismo, o Evangelho nos revela a manifestação trinitária:

• o Filho está nas águas,
• o Espírito desce como pomba,
• e a voz do Pai proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17).

Essa cena confirma a missão de Jesus e remete diretamente ao profeta Isaías: “Eis o meu servo, a quem sustento, meu eleito, em quem me comprazo” (Is 42,1).

O perfil desse servo é claro:

• escolhido e sustentado por Deus (cf. Is 42,1);
• conduzido pelo Espírito de sabedoria, discernimento, fortaleza etc.;
• chamado e o ser constituído luz das nações (cf. Is 42,6);
• portador de justiça que não oprime nem apaga o pavio que ainda fumega (cf. Is 42,3).

Sua missão é libertadora: “Abrir os olhos dos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas” (Is 42,7).

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, Pedro, que estava na casa de Cornélio, pagão, vai compreendendo que o Evangelho é para todas as pessoas; portanto, quem o recebe não pode fazer acepção de pessoas. Assim foi a vida de Jesus: sua vida pública resumida de um modo muito simples e profundo: “Ele passou fazendo o bem” (At 10,38). E é exatamente esse estilo de vida que Jesus comunica aos batizados.

O nosso batismo não é uma graça individualista nem um privilégio espiritual. É uma vocação e uma missão. O Catecismo afirma: “O Batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo e participantes da sua missão” (CIC, n. 1267).

Encerrando o Tempo do Natal e iniciando o Tempo Comum, somos chamados a viver como filhas e filhos amados do Pai, enviados a ser presença viva de Deus no mundo, continuando, hoje, o caminho daquele que passou fazendo o bem.

Assista também:

Batismo do Senhor – Ano A - Jesus, um Messias que serve

Leia mais