O crescimento do PIB brasileiro por períodos presidenciais entre 1956 e 2022. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Palácio da Alvorada, Brasília. (Foto: Reprodução | Ribeirão Preto Cultural)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

29 Setembro 2022

 

"O Brasil empobreceu nos últimos 12 anos e a pobreza e a fome voltaram a apresentar taxas crescente", afirma José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e pesquisador de meio ambiente, em artigo publicado por EcoDebate, 28-09-2022.

 

Eis o artigo.

 

“Brasil: país do futuro com enorme passado pela frente”
(Alves, 2022, adaptado de Stefan Zweig e Millôr Fernandes)

 

Nos 200 anos da Independência, o Brasil deixou de ser um país pequeno, pobre, agrário e rural para se transformar em um país urbano, com forte presença dos setores da indústria e dos serviços, de renda média, além de ter entrado na lista das 10 maiores economias do mundo.

 

Entre 1822 e 2022 a população brasileira cresceu 46,3 vezes, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 704 vezes e a renda per capita cresceu 15,2 vezes, como mostrei no livro “Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI” (Alves, 2022).

 

Mas o crescimento não foi homogêneo no tempo. A população crescia em torno de 3% ao ano entre 1950 e 1970, caiu para 2,5% na década de 1970, ficou em torno de 1,6% aa entre 1980 e 2010 e abaixo de 1% aa na última década. A economia que cresceu cerca de 7% ao ano entre 1950 e 1980, passou a ter, na média das últimas 4 décadas, um desempenho medíocre.

 

No governo Juscelino Kubitschek (1956-60), o Brasil vivia na democracia e o PIB cresceu em média 8,1% aa. Nos governos Jânio Quadros e João Goulart (1961-1963), com a crise política gerada pela renúncia presidencial, a média do PIB ficou em 5,3% aa. Na ditadura militar houve o período de maior performance, pois a época do “milagre econômico” (1967-73) apresentou crescimento de 11,4% aa. Porém, a primeira recessão em 50 anos, após a crise dos anos 1930, ocorreu entre 1981 e 1983. Na média do regime autoritário (1964-84), o crescimento do PIB ficou em 6,5% aa, valor menor do que no período JK, como mostra o gráfico abaixo.

 

Após 1981 o ritmo de incremento da economia diminuiu. No governo Sarney (1985-89), o crescimento anual do PIB foi de 4,4% aa. Em seguida, os governos Fernando Collor e Itamar Franco (1990-94) apresentou crescimento médio do PIB de apenas 1,2% aa (abaixo do crescimento demográfico). Evidentemente, a crise política que contribuiu e foi acentuada pelo processo de impeachment de Collor, impulsionou para o baixo desempenho da economia. Após o lançamento do Plano Real, a inflação brasileira foi controlada para um “patamar civilizado”, e o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-02) apresentou crescimento médio de 2,4% aa.

 

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10), com crescimento de 4,1% ao ano, apresentou o melhor desempenho do período pós-democratização, embora a uma taxa cerca da metade daquela do período JK. Os governos Dilma Rousseff e Michael Temer (2011-18) apresentou crescimento de apenas 0,63% aa (abaixo do crescimento demográfico). Novamente, a crise política que gerou e foi acentuada pelo processo de impeachment da presidenta Dilma, contribuiu para o baixo desempenho da economia. O governo Jair Bolsonaro (2019-2022) deve ter um crescimento médio de 1,4% ao ano (considerando uma variação de 2,5% em 2022).

 

No período 1950 a 1980 a população e a economia brasileira cresceram, respectivamente, 2,8% e 7,1% ao ano. Portanto, a renda per capita cresceu 4,3% ao ano no período. Mas no período 1981 a 2022, a população cresceu a 1,4% ao ano e o PIB cresceu 2,2% ao ano. Assim, a renda per capita aumentou apenas 0,8% ao ano nos últimos 41 anos, sendo que na última década houve redução da renda per capita.

 

O Brasil tinha um PIB que representava apenas 0,4% do PIB global em 1822. Mas, como mostra o gráfico abaixo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB brasileiro alcançou 4% do PIB global na década de 1980. Entre 1900 e 1980 o Brasil apresentou um crescimento econômico acima da média mundial, mas a partir de 1981 passou a crescer menos do que a média mundial. O Brasil era uma nação emergente e virou um país submergente.

 

Ainda segundo dados do World Economic Outlook (WEO) do FMI, a renda per capita brasileira (em termos constantes, em poder de paridade de compra) chegou a US$ 14,7 mil em 2022, valor menor do que os US$ 14,9 mil registrados em 2010. Portanto, o Brasil empobreceu nos últimos 12 anos e a pobreza e a fome voltaram a apresentar taxas crescentes.

 

No ano do Bicentenário da Independência, o Brasil terá eleições gerais e será uma oportunidade para debater um futuro mais promissor, deixando para trás o legado de atraso e desigualdades que marcaram a história do país.

 

Referência


Livro: Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI, Escola de Negócios e Seguro (ENS), maio de 2022. Escrito por José Eustáquio Diniz Alves, com a colaboração de Francisco Galiza. Acesso gratuito no site da ENS aqui.

 

Leia mais