Os mais ricos são os mais favoráveis a cortes na ciência e nas universidades, mostra pesquisa

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22 Setembro 2022


Levantamento do centro SoU_Ciência revela que só 27% da elite brasileira defende o orçamento para o setor.

 

A reportagem é de Duda Romagna, publicada por Sul21, 20-09-2022. 

 

Uma pesquisa do Centro de Estudos SoU_Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o instituto de pesquisa Ideia Big Data, apontou que a maioria (62%) da população brasileira é contra os cortes nos orçamentos destinados à ciência e às universidades. A pesquisa, de julho de 2022, mostra ainda que 11% se dizem favoráveis aos cortes e 22% são indiferentes.

 

Fonte: SoU_Ciência/Unifesp

 

Apenas 27% da elite brasileira defende o orçamento, enquanto pessoas mais pobres e negras são quem mais apoia, 82% e 75%, respectivamente. O estudo identificou, também, um alinhamento dos entrevistados com o fator político, eleitoral e ideológico: entre eleitores de Bolsonaro, 19% são favoráveis aos cortes, contra 5% de eleitores de Lula. Ainda assim, 55% dos bolsonaristas são contra.

 

Os que mais desaprovam são os jovens, negros e de menor escolaridade. 75% das pessoas pretas e 73% das pardas se posicionaram contra os cortes, frente a apenas 46% das pessoas brancas. Associado ao recorte racial está o da população de menor renda e instrução, que tende a defender o orçamento para educação e pesquisa, 75% com Ensino Fundamental ou sem instrução, 82% das pessoas que ganham até um salário mínimo e 68% das que ganham de 1 a 3 salários.

 

Fonte: SoU_Ciência/Unifesp

 

Para Pedro Arantes, coordenador do SoU_Ciência, os resultados retratam o Brasil e há uma influência do cenário eleitoral. “Está evidente, também, que as elites, brancas, com nível superior do sul e sudeste, somadas a evangélicos, estão hoje na vanguarda do projeto obscurantista de destruição do sistema de ciência, cultura e universidades públicas, e de regressão em muitas outras áreas, do meio ambiente aos direitos humanos.” Arantes afirma ainda que esse é mais um motivo para cientistas e professores voltarem suas instituições para compreender cada vez mais as demandas do povo brasileiro: “de negros, indígenas, nortistas e nordestinos, pobres e menos instruídos, que hoje são a força civilizatória contra a barbárie”.

 

Levantamento do Observatório do Conhecimento aponta que, desde 2014, o orçamento destinado a pesquisas científicas no Brasil caiu 60%, saindo de R$ 27,8 bilhões, no fim do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), para R$ 10,5 bilhões, no terceiro ano do governo Jair Bolsonaro (PL).

 

No final de maio, o governo federal chegou a anunciar um corte de R$ 3,2 bilhões, o que representaria 14,5% do orçamento do Ministério da Educação (MEC) em 2022. Porém, dias depois houve um recuo, o governo diminui o valor do bloqueio e o corte no orçamento do MEC ficou em cerca de R$ 1,6 bilhão, ou 7,2% do orçamento para o ano. Na ocasião, o governo justificou o bloqueio da verba como sendo necessário para garantir que não se ultrapasse o limite definido no teto de gastos.

 

Metodologia

 

A pesquisa foi realizada por telefone em duas rodadas, nos dias 27 de julho e 10 de agosto de 2022, com 1.200 respondentes, entre homens e mulheres residentes em todas as regiões do Brasil, com idade igual ou superior a 16 anos, de diferentes escolaridades, raça/cor, renda e classe social. A amostra seguiu cotas variáveis, segundo distribuição da população por região e com proporções definidas com base nas pesquisas Pnad 2021 e Censo 2010/IBGE. A pesquisa tem grau de confiança igual a 95% e margem de erro máxima prevista de aproximadamente 2.85% para mais ou para menos.

 

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