Lima: Plano Pastoral 2021 e a contestação de grupos conservadores

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25 Agosto 2021

 

O objetivo do plano da diocese peruana de Lima é sair às ruas, formando discípulos missionários a serviço da Igreja e do mundo.

O comentário é de Francesco Strazzari, teólogo e padre da Diocese de Vincenza, na Itália, publicado por Settimana News, 23-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

O corajoso e dinâmico arcebispo de Lima, Carlos Castillo (1950), que colocou no brasão as palavras de Jesus de Nazaré: A ti te digo, levanta-te! (Mc 5,41), ele lançou o plano pastoral com o lema: Somos todos discípulos e missionários em saída.

O plano propõe na primeira etapa, de maio a dezembro de 2021, sensibilizar e exortar os fiéis a se tornarem discípulos e missionários; de dirigir-se ao povo, pastores, religiosos e leigos, para se empenhar no discipulado missionário; consolidar e organizar a missão da arquidiocese (mais de dois milhões e meio de fiéis) em todos os âmbitos para atuar como missionários. Este é o objetivo do projeto: poder sair às ruas, conforme pede o empenho missionário.

É lançada uma "proposta": realizar ações e atividades que envolvam todas as áreas: clero, vida consagrada, família, jovens, movimentos, pastoral social, paróquias, áreas urbanas e periféricas com o objetivo de fazer "sentir" o sentido de pertencimento à arquidiocese. São chamadas em causas as equipes vicárias, os decanatos, as paróquias para conhecer em profundidade as várias e multiformes realidades para alcançar a meta do plano: a missionariedade.

Levando em consideração a pandemia, foram preparadas perguntas precisas, tais como: quais são os obstáculos e os desafios do discípulo missionário hoje? É possível abrir novos caminhos na arquidiocese para sentir-se missionários no próprio ambiente? A Igreja rumo a quem e a que situações deve dirigir-se?

As respostas a um questionário serão utilizadas para uma análise cuidadosa e objetiva das situações. Os fiéis não escapam da "crise de identidade": "Não sabemos ou esquecemos quem somos como membros do Corpo de Cristo e qual é o nosso papel dentro dele".

O apelo de Jesus antes de subir ao céu deve ser retomado com coragem: "vão e façam discípulos de todas as nações" (Mt 28,19). E ainda: "Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar" (Mc 3,14).

No plano constam citações dos documentos do Papa Francisco inerentes à missionariedade, que tem seu fundamento no batismo (EG 120).

O discípulo de Cristo é "formado" na escola do Mestre e, por sua vez, torna-se um "formador", chamado a continuar a missão de Jesus para formar discípulos missionários ao serviço da Igreja e do mundo: “Uma vez que nós encontramos Jesus Cristo e o seu amor misericordioso, somos chamados a levar esse encontro aos outros, portanto, desempenhando um papel único na história da salvação”.

O arcebispo Castillo tem que lidar com uma parte aguerrida e barulhenta da direita política e do conservadorismo eclesial. Seu palácio, na quarta-feira 18 de agosto, foi invadido por cerca de sessenta pessoas que com gritos, palavras de ordem, cartazes, megafones, orações pediam para não implementar seu projeto de confiar paróquias aos leigos, designando-os como párocos. “É uma ofensa muito grave à doutrina católica”, gritavam e rezavam pela conversão do seu arcebispo.

Ficou bastante evidente que por trás de tais manifestações pode-se vislumbrar a “sombra do Card. Cipriani, ex-arcebispo de Lima até sua renúncia (25 de janeiro de 2019)”. E também do seu "estilo". Não foi suficiente a referência de Castillo à experiência de “párocos leigos”, que está sendo posta em prática em várias partes onde os padres são escassos. É uma batata quente para ele, que iniciou o "Plano Pastoral", e que certamente encontrará muitas dificuldades.

O arcebispo desfruta, contudo, da estima dos dois auxiliares e é conhecida sua amizade com o Papa Francisco, que pessoalmente o indicou arcebispo de Lima para suceder ao polêmico card. Cipriani da Opus Dei.

 

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