Papa: 'Fé não é se refugiar nos legalismos e clericalismos'

Foto: Vatican Media

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29 Março 2021


Diante de Deus, a atitude deve ser de "surpresa" (no original, 'stupore'), não de "admiração". “Se a fé perde o assombro, torna-se surda” e não lhe resta outro caminho senão “refugiar-se nos legalismos e clericalismos, e tudo o mais que Jesus condena”.
O Papa Francisco disse isso na homilia da Missa do Domingo de Ramos.

A íntegra da homilia pode ser lida, em português, aqui.


“Também hoje há muitos que admiram Jesus: falou bem, amou e perdoou, o seu exemplo mudou a história ... Admiram-No, mas a vida deles não muda. Porque não basta admirar. É preciso segui-lo no seu caminho, deixar-se interpelar por ele: passar da admiração à surpresa”. “A admiração pode ser mundana, porque busca os próprios gostos e anseios; a surpresa, ao contrário, permanece aberta ao outro, à sua novidade”, acrescentou o Papa. “Peçamos a graça do assombro. A vida cristã, sem surpresa, torna-se cinzenta". Se não há assombro, talvez “a nossa fé foi corroída pelo hábito”, concluiu o Papa.


Com a celebração do Domingo de Ramos, “entramos na Semana Santa. Pela segunda vez a vivemos no contexto da pandemia. No ano passado estávamos mais chocados, este ano estamos mais provados. E a crise econômica tornou-se pesada”, disse o Papa no Angelus, acrescentando: “Nesta situação histórica e social, o que faz Deus? Toma a cruz", "assume para si o mal" especialmente aquele "espiritual, porque o Maligno aproveita as crises para semear desconfiança, desespero e discórdia. E nós? O que devemos fazer?".

Como Maria, devemos assumir "a nossa parte de sofrimento, de trevas, de desorientação". “E, ao longo da Via Crucis cotidiana - acrescentou o Papa no Angelus, recitado no final da Missa junto à basílica do Vaticano -, encontramos os rostos de tantos irmãos e irmãs em dificuldade: não vamos passar adiante, deixemos que o coração se mova por compaixão e aproximemo-nos. Neste momento, como o cireneu, podemos pensar: 'Por que justamente eu?'. Mas depois descobriremos o dom que, sem nosso mérito, nos coube".

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