Em todo o mundo, uma em cada cinco mortes prematuras se deve à poluição

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11 Fevereiro 2021

O impacto na saúde gerado pela queima de combustíveis fósseis é cada vez mais evidente. Uma nova pesquisa científica publicada, nesta terça-feira pela revista Environmental Research revela que uma em cada cinco mortes prematuras que acontecem por ano tem a ver com a poluição do ar associada ao diesel, a gasolina e o carvão. No total, anualmente, a poluição provoca 8,6 milhões de mortes em todo o planeta, segundo este novo relatório realizado por especialistas da Universidade Harvard e do University College London.

A reportagem é de Alejandro Tena, publicada por Público, 09-02-2021. A tradução é do Cepat.

Os dados aumentam notavelmente os números que até agora eram consenso. Tanto é que no último grande relatório científico, realizado em 2015, estimava-se que o número de mortes prematuras associada à poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis era de 4,2 milhões. Esta importante revisão não se deve tanto a um aumento da população, mas a uma mudança metodológica que conferiu maior importância ao impacto na saúde gerado pelas partículas PM2,5, associadas pela queima de elementos como o carvão e o diesel. Desta forma, os especialistas não só falam em mortalidade, como também estimam que 18% da população do planeta vive exposta a estas partículas associadas ao desenvolvimento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

“Esperamos que ao quantificar as consequências da combustão de combustíveis fósseis para a saúde, possamos enviar uma clara mensagem aos responsáveis políticos e as partes interessadas a respeito do benefício de uma transição para fontes de energia alternativas”, avaliou Joel Schwartz, professor de epidemiologia ambiental da Universidade Harvard, que participou na elaboração do relatório.

Segundo a pesquisa, as regiões do Leste Asiático são as que maiores índices de mortalidade prematura registram, com um total de 1,6 milhão de mortes anuais pela má qualidade do ar. É seguida pelo continente europeu, onde são contabilizadas 1,4 milhão de mortes, Estados Unidos, que têm 355.000 mortes por ano, África, com 194.000 mortes, e América do Sul, com outras 187.000. As zonas do oeste asiático e Oriente Próximo sofrem 95.000 óbitos. A América Central e as ilhas caribenhas contabilizam 94.000 mortes, e o Canadá e a Austrália somam 40.000 mortes anuais.

A pesquisa também revela como as restrições à queima de combustíveis fósseis têm uma incidência positiva na saúde pública. O caso da China talvez seja o mais chamativo, tanto que em 2012 foram contabilizadas, com este mesmo método de análise, 3,9 milhões de mortes e seis anos depois, quando o Governo freou o uso de carvão e apostou em energias renováveis e na mobilidade elétrica, o número de mortes ficou em 2,4 milhões. Desta forma, as políticas dirigidas à promoção de energias limpas fizeram com que o país asiático reduzisse em 38% a mortalidade associada à má qualidade do ar.

7% da mortalidade infantil

Os menores de cinco anos são, segundo os especialistas, “biologicamente e neurologicamente mais suscetíveis aos efeitos adversos gerados pela poluição”. Seus sistemas respiratórios e imunológicos ainda imaturos fazem com que fiquem em uma situação de risco frente aos gases e partículas fósseis. De fato, a principal causa da mortalidade infantil no mundo está relacionada a doenças respiratórias, com 18.997 mortes anuais, das quais 7,2% estão estreitamente relacionadas com a exposição a partículas PM2,5.

A Europa é o continente que mais registra óbitos infantis por causa destas partículas liberadas na atmosfera após a queima de combustíveis: 13,6% do total. É seguida por América do Norte (6,6%) e América do Sul (5,7%). O número de crianças que vivem expostas à má qualidade do ar é ainda mais alarmante, quando se olha para os dados trabalhados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que alerta que 93% das crianças do mundo respiram diariamente níveis de poluição elevados.

Ella Kissi-Debrah – uma criança britânica que faleceu por complicações respiratórias – se tornou a face visível do problema global, após um tribunal do Reino Unido sentenciar, no último mês de dezembro, que os altos níveis de poluição que havia na região onde vivia tinham sido uma causa determinante para sua morte. Trata-se do primeiro caso, em todo o mundo, em que a Justiça relaciona uma morte à má qualidade do ar.

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