Com PIB de 0,7% no ano, desemprego subiu e lucro bancário explodiu

Foto: Marcos Santos | USP

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Agosto 2019

A economia cresceu 0,7% no primeiro semestre do ano na comparação com o segundo de 2018. Houve alívio no Ministério da Economia, que em nota disse ser “acertada” sua estratégia até aqui.

O resultado que afastou o perigo, um avanço de 0,4% no segundo trimestre, deixou gente desconfiada com o IBGE, órgão que tem sido pressionado pelo atual governo desde o início.

A reportagem é de André Barrocal, publicada por CartaCapital, 30-08-2019.

Conselheiro de Ciro Gomes (PDT) em 2018, o economista José Luis Oreiro, da UnB, lembra que um índice prévio do Banco Central (BC) havia mostrado queda de 0,13%. No primeiro trimestre, esse índice, o IBC-Br, tinha sido idêntico ao resultado do IBGE, recuo de 0,2%.

André Perfeito, economista-chefe da Nécton Investimentos, é outro cismado. As pesquisas mensais do IBGE sobre comércio, indústria e serviços, diz ele, indicavam quedas dos três setores.

Cismas à parte, há motivo para comemorar a alta de 0,7% no primeiro semestre? Os donos e acionistas dos três maiores bancos privados, têm. O trabalhador, não. O que ajuda a explicar o avanço da impopularidade do governo Jair Bolsonaro, agora superior à aprovação.

De janeiro a junho, o número de desempregados subiu. Era de 12,2 milhões de pessoas em dezembro de 2018 e chegou a 12,8 milhões, conforme o IBGE. A taxa de desemprego foi de 11,6% a 12%.

Aumentou também a quantidade de brasileiros que desistiram de procurar vaga por achar inútil, o chamado desalento. Eram 4,7 milhões no fim de 2018 e 4,9 milhões em junho, um recorde.

Nesse período, o salário quase não se mexeu. A média era de 2.254 reais em dezembro e foi a 2.290 reais em junho, segundo o IBGE. Desde 2012 o salário oscila entre 2,2 mil e 2,3 mil.

Enquanto o desemprego subia e a economia e os salários rastejavam, os bancos esbaldavam-se. Bradesco, Itaú e Santander lucraram juntos 32,7 bilhões de reais no primeiro semestre, um aumento de 13%.

É prenúncio de novo recorde anual. Em 2018, o trio teve ganhos inéditos, 56,7 bilhões. Apenas no primeiro semestre de 2018, foram 28,9 bilhões.

A realidade da população que não é nem banqueira nem acionista de banco ajuda a explicar por que o governo já é mais reprovado do que aprovado.

Em agosto, 39% dos brasileiros achavam o governo ruim ou péssimo e 29%, bom ou ótimo, conforme nova pesquisa CNT/MDA. As duas posições empatavam ali pelos 30% desde abril, de acordo com levantamentos de outros institutos.

Na baixa renda, pessoas que ganham até dois salários mínimos, é pior para o governo: 48% de ruim ou péssimo. Já entre os que ganham um pouco mais e parecem não estar no aperto, muda. De 2 a 5 salários mínimos, há empate em 33% de aprovação e desaprovação do governo. E acima de 5 mínimos, 44% de aprovação e 32% de desaprovação.

 

Leia mais