“O sacerdócio masculino não ajuda a Igreja a se apresentar como pioneira da igualdade”, diz cardeal Marx

Mais Lidos

  • O Papa Leão XIV faz um pedido de desculpas histórico pelo papel da Santa Sé na legitimação da escravidão

    LER MAIS
  • Pesquisadores comentam a primeira encíclica de Leão XIV

    Magnifica Humanitas. Limites, possibilidades, perspectivas. Algumas análises

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

06 Julho 2017

O impulso para que as mulheres tenham o espaço na liderança da Igreja que lhes corresponde pela dignidade humana ganha dimensões cada vez maiores. O último a clamar para que elas sejam mais envolvidas nos altos escalões da hierarquia foi o cardeal Reinhard Marx, que declarou que “precisamos de uma nova imagem do que a Igreja deve ser: uma Igreja mundial liderada por homens e mulheres de todas as culturas trabalhando juntos”.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 05-07-2017. A tradução é de André Langer.

De acordo com o jornal francês La Croix, o cardeal alemão afirmou em um encontro recente de mulheres líderes da Igreja de Munique que “seríamos loucos se não utilizássemos os talentos das mulheres. De fato, seria um verdadeiro absurdo”. Uma vigorosa reivindicação por um maior protagonismo feminino em círculos eclesiais de um dos homens mais próximos ao Papa Francisco, que apoiou o seu argumento no fato de que já há mulheres com altos cargos eclesiais em 11 das 27 dioceses da Alemanha e em cinco das 10 dioceses austríacas, “e há uma satisfação generalizada”.

O arcebispo de Munique lamentou que no momento o sacerdócio seja uma possibilidade restrita apenas para os fiéis varões, uma limitação que, “certamente, não está ajudando a Igreja a se apresentar como uma pioneira da igualdade de direitos”. Como matizou o cardeal, não obstante, a questão do sacerdócio exclusivamente masculino “não queira dizer que só os homens podem mandar na Igreja”.

“Esta é, precisamente, a mensagem que a Igreja não deveria dar ao mundo”, insistiu. “E esta é a razão pela qual quero enfatizar que os postos de responsabilidade e os cargos executivos na Igreja que estão abertos aos leigos precisam ser repartidos entre homens e mulheres”.

De sua cadeira no conselho assessor do Papa Francisco – conhecido como C9 – o cardeal alemão, como assinalou, prosseguirá sua cruzada para que mais mulheres sejam incluídas em postos decisivos da Igreja, embora reconheça que, devido ao fato de que “há alguns na Igreja que se aferram à tradição”, é preciso ter “paciência”. “Mas, uma coisa é certa”, prometeu: “as coisas aqui [em Munique] não serão como antes”. Mudanças que, vaticinou o cardeal, poderiam chegar inclusive ao coração do Vaticano, dados aos “bons sinais” em relação à igualdade de sexos que o Papa Francisco está emitindo.

Leia mais